A opinião de Zanin sobre a suspensão das parcelas da dívida de Minas

Ministro do STF se manifestou nesta quarta-feira (21), em julgamento de uma das liminares que evitou o pagamento das prestações
O ministro Cristiano Zanin, do STF
O ministro Cristiano Zanin, do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), é contra novas prorrogações da liminar que suspendeu as parcelas da dívida de R$ 165 bilhões de Minas Gerais com a União. A medida cautelar vence no próximo dia 28. A opinião de Zanin consta em voto enviado por ele nesta quarta-feira (21) ao plenário virtual da Corte, em julgamento que analisa uma decisão de julho do vice-presidente do STF, Edson Fachin — à época, Fachin resolveu estender a liminar até 1° de agosto.

Na manifestação, Zanin defende que as prestações da dívida mineira sejam “retomadas imediatamente” após o dia 28 de agosto.

“De fato, conforme demonstrado pela União em suas manifestações nos autos (docs. 35 e 46), o Estado de Minas Gerais está há 9 anos sem efetuar qualquer amortização na dívida que mantém com o ente federal, o que causou o crescimento vertiginoso do saldo devedor do Estado”, aponta.

O ministro do STF diz que a situação “atenta contra o princípio da isonomia” e impõe efeito negativo aos estados que têm feito pagamentos relacionados a seus débitos com o governo federal.

“Como bem frisou o Ministro Relator Nunes Marques, essa situação de crescimento descontrolado do endividamento do ente subnacional precisa ser equalizada o quanto antes, e a ausência de demonstração de razoável progresso na implementação das medidas necessárias à homologação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), não obstante uma primeira dilação de 120 dias, denota que a medida concedida, por si só, não parece ter gerado estímulo suficientemente eficaz para uma cooperação adequada com vistas à solução do conflito federativo”, escreve.

Zanin é o terceiro ministro a se manifestar no julgamento virtual para decidir se a Corte vai referendar a liminar que estendeu a suspensão das parcelas da dívida até 1° de agosto. Na prática, apesar das ressalvas, ele concordou com a decisão de Fachin. Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes também votaram com o vice-presidente da Corte. As opiniões poderão ser registradas até sexta-feira (23).

Depois desse julgamento, a dívida mineira voltará à pauta do STF no próximo dia 28, em julgamento presencial. Lá, o mérito do caso envolvendo a suspensão das parcelas do débito será analisado.

Busca por acordo

Como já mostrou O Fator, a equipe do governador Romeu Zema (Novo) busca uma audiência de conciliação com a União para tentar encerrar o impasse em torno da dívida mineira. A ideia é conseguir uma autorização para retomar os pagamentos do passivo como se a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) já tivesse sido homologada

O texto-base do RRF, cabe lembrar, já foi aprovado em 1° turno pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mas a extensão de Nunes Marques da carência da dívida até 28 de agosto freou a votação em 2° turno. O pacote é visto com receio por parte dos deputados estaduais, que receiam prejuízos ao funcionalismo público.

Paralelamente, há, no Congresso Nacional, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O texto, aprovado na semana passada pelo Senado Federal, foi encaminhado à Câmara dos Deputados. Nos termos do Propag, a federalização de ativos é o pilar do processo de renegociação das dívidas estaduais.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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