A resposta de Tadeu Leite às queixas de aliados de Zema por mudanças na ALMG

Presidente do Legislativo minimizou críticas por escolhas para presidências de comissões e cargos de liderança
O presidente da Assembleia, Tadeu Leite, do MDB
O presidente da Assembleia, Tadeu Leite, do MDB. Foto: Elizabete Guimarães/ALMG

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), minimizou, nesta quarta-feira (19), o descontentamento expressado por interlocutores do governo do estado quanto à divisão dos assentos nas comissões e dos postos de liderança na Casa. Tadeu lembrou que o único cargo do Parlamento cujo ocupante é diretamente indicado pelo Executivo é o de líder de governo, função hoje exercida por João Magalhães (MDB).

Como O Fator mostrou na semana passada, a saída do deputado estadual Gustavo Valadares (PMN) da Secretaria de Estado de Governo teve, como pano de fundo, o diagnóstico de que o Executivo perdeu espaço em comissões temáticas da Casa. A escolha de Noraldino Júnior (PSB), parlamentar próximo a Tadeu, para encabeçar uma das coalizões de apoio a Romeu Zema (Novo), também pesou para a decisão. 

“Vamos nos pautar sempre por muito diálogo e muita harmonia, mas sempre reforçando a independência da Casa. O único cargo que o governo do estado tem na Assembleia é a liderança de governo. Todas as comissões permanentes da Casa são construções dos deputados, através das lideranças e dos 77 parlamentares”, disse o presidente da Assembleia, em coletiva de imprensa.

O substituto de Valadares na Secretaria de Governo é o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP), que também chefia a Casa Civil estadual. Ao comentar o novo escolhido para o posto, Tadeu Leite garantiu ter “ótima relação” com Aro.

Interlocutores do presidente da Assembleia classificam a declaração desta quarta-feira (19) como uma forma de delimitar espaços entre Executivo e Legislativo. Ainda que a relação de Tadeu com Zema não seja marcada pelas dissonâncias públicas vistas durante o primeiro mandato do governador, quando o presidente do Parlamento era Agostinho Patrus, a avaliação é de que emedebista quis marcar posição.

Mudança dupla

Tida como o mais importante comitê da Assembleia, a Comissão de Constituição e Justiça tem sido comandada, desde a semana passada, por Doorgal Andrada (PRD), um dos parlamentares mais próximos a Tadeu. Já a Comissão de Administração Pública (APU) ficou com Adalclever Lopes (PSD), ex-presidente da Assembleia e, até o ano passado, aliado do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (sem partido), com quem Zema já travou brigas públicas. 

A tríade formada por CCJ, APU e Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) costuma ditar o ritmo dos trabalhos da Assembleia. Embora não tenha conseguido emplacar deputados de seu “núcleo duro” em CCJ e APU, Zema tem um importante aliado na presidência da FFO: trata-se de Zé Guilherme (PP), reconduzido ao posto.

“A Casa não vai ficar fazendo atendimentos da vontade do governo. Esta é uma Casa dos deputados, com independência, mas sempre com muito diálogo e harmonia”, pontuou Tadeu Leite. 

Ainda conforme o chefe do Legislativo, no último biênio a Assembleia pôs em debate temas considerados importantes pela equipe de Zema, como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que acabou não sendo votado em segundo turno.

“Todos os projetos do governo do estado que chegaram aqui foram melhorados e votados. Todos sabemos (que) o governo nunca teve voto para aprovar o Regime de Recuperação Fiscal. Mas, em vez de eu pautar e porventura ele ser derrotado, fomos a Brasília e construímos um novo caminho, muito melhor para o estado e especialmente para os mineiros, que vão pagar R$ 300 bilhões a menos do que pagariam no RRF”, avaliou, em menção ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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