As críticas do pré-candidato do Novo à Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) acenderam um sinal de alerta na cúpula nacional do PP e colocaram em xeque as conversas com a equipe de pré-campanha do governador Mateus Simões (PSD).
Ciro já havia declarado publicamente apoio a Simões e indicado o secretário licenciado de Governo de Minas, o deputado federal Marcelo Aro, para uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada pelo governador. Esse acerto havia sido fechado em agosto do ano passado.
Mas as recentes críticas de Zema, que se intensificaram nas redes sociais nos últimos dias, mudaram o jogo. O senador é investigado pela Polícia Federal (PF) sobre suposto favorecimento no Legislativo, com recebimento de propina, para atuar em benefício do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.
O senador nega que tenha cometido irregularidades e afirma que as acusações são fruto de perseguição política. O movimento fez a cúpula do PP dar um passo atrás para avaliar melhor o cenário, considerando que Simões já se comprometeu publicamente a apoiar Zema na disputa presidencial.
Com o foco voltado para sua defesa, Ciro tem dito publicamente que agora essas negociações vão caber aos parlamentares em Minas. Mas, nos bastidores, interlocutores contam que ele avisou que a aliança com Simões deixou de ser prioridade, e o PP deve ouvir outras possibilidades.
Enquanto isso, dentro do quadro dos progressistas mineiros, segundo apurou O Fator, a aliança sofreu um abalo e segue mantida principalmente por Aro, embora, oficialmente, nada tenha mudado até o momento.
PP e a federação
O PP mantém federação com o União Brasil, o que obriga os dois partidos a caminharem juntos nas eleições deste ano. E, internamente, há divergências na federação sobre a melhor estratégia.
Entre elas, apoiar um candidato de esquerda, ainda a ser definido, após o senador Rodrigo Pacheco (PSB) ter declinado do convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou de direita.
Já entre os nomes cotados no campo conservador estão o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg, pelo PL. Como mostrou O Fator, as duas siglas decidiram caminhar juntas em Minas no pleito deste ano, e fecharam as portas para uma aliança com Simões.
Um dos motivos apontados foi justamente o fato de o pré-candidato do PSD ao governo mineiro apoiar Zema na disputa ao Palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que o PL trabalha com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa presidencial e pede apoio irrestrito já no primeiro turno. Isso, inclusive, também pesou no cálculo do PP.
A reportagem procurou o presidente do PP em Minas, o deputado federal Pinheirinho, para comentar as movimentações do partido, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.