A Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), reconheceu, nessa quarta-feira (1º), a condição de anistiado político de João Batista dos Mares Guia.
Sob relatoria da conselheira Rita Maria de Miranda Sipahi, o colegiado admitiu que o sociólogo mineiro foi perseguido por motivação exclusivamente política durante a ditadura militar.
Mares Guia militou no movimento estudantil entre as décadas de 1960 e 1970. Foi preso em 1968, durante a ocupação da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e voltou a ser detido no 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna (SP) no mesmo ano. O ativista respondeu a Inquéritos Policiais Militares (IPMs), viveu no exílio no Chile e integrou movimentos de resistência ao regime militar.
Após a redemocratização, foi o primeiro deputado estadual eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no estado. Exerceu também os cargos de secretário de Educação em Contagem, secretário de Estado de Educação e candidato ao governo de Minas Gerais, pela Rede Sustentabilidade em 2018.
A Comissão de Anistia é o órgão responsável por analisar pedidos de reconhecimento da condição de anistiado político de pessoas perseguidas pelo Estado brasileiro entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Além do reconhecimento da perseguição política, o grupo pode deliberar sobre as reparações previstas na legislação aplicável.
No começo deste ano, João Batista dos Mares Guia retornou ao PT, legenda pela qual disputará uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.