Governo de MG cita STF para vetar fim de limite em gratificação a servidores da Fazenda

Decisão foi tomada após emenda sobre o tema ser inserida em projeto a respeito de carreiras jurídicas no Executivo
Veto leva a assinatura do governador Mateus Simões. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), recorreu a uma tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para vetar uma emenda que extinguia o teto de uma gratificação paga a analistas e técnicos da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF). A decisão é desta sexta-feira (3).

A emenda foi inserida em um projeto de lei que trata das carreiras da Advocacia-Geral do Estado (AGE), cujo texto-base, aprovado pela Assembleia Legislativa (ALMG) na terça-feira (30), acabou sancionado.

Atualmente, a chamada Gratificação de Desempenho Individual (GDI) tem, como limite, 80% do salário do último nível das carreiras de analista e técnico fazendários. A ideia de suprimir esse teto foi apresentada pelo deputado estadual Professor Cleiton, do PV.

Simões, no entanto, se amparou no Tema 686, cujo relator no STF foi o ministro Gilmar Mendes. A tese versa sobre emendas parlamentares inseridas em projetos de autoria do Executivo e que implicam em aumento de despesa. 

O dispositivo diz que o governador tem reserva de iniciativa para editar normas que mexam no padrão remuneratório dos servidores públicos. Assim, de acordo com o pessedista, a incidência do Tema faz com que a emenda seja “formalmente inconstitucional”.

Guerra fria

Paralelamente à emenda da GDI, a Assembleia debate um projeto de lei que modifica as regras de concessão da Gratificação de Estímulo à Produção (Gepi), paga a auditores e gestores fazendários.

O texto sobre a Gepi foi apresentado aos deputados em março pelo então governador Romeu Zema (Novo). Ele encaminhou a proposta porque em novembro do ano passado o STF decidiu que aumentos em benefícios desse tipo dependem de lei específica. Antes, os reajustes, concedidos anualmente, ocorriam por meio de normativas do Executivo.

Como O Fator mostrou, parlamentares da base do Palácio Tiradentes desejavam aprovar a proposição até o fim desta semana, uma vez que, neste sábado (4), começa a valer veto da Lei Eleitoral vedando a readequação de vantagens a integrantes do funcionalismo.

Inicialmente, a administração estadual desejava aprovar a proposta até 3 de abril, já que a Lei Eleitoral proíbe a concessão de vantagens remuneratórias ao funcionalismo público 180 dias antes do 1° turno, agendado para 4 de outubro. 

Posteriormente, houve o entendimento de que seria possível conseguir o sinal verde dos parlamentares até 3 de julho, em reavaliação ancorada na interpretação de que não se trata da oferta de um novo benefício, mas da regularização de pagamentos já existentes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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