Inflação sobe em Belo Horizonte e pesa mais para famílias de baixa renda

Itens essenciais, como gasolina e alimentação, subiram acima da média, enquanto serviços ajudaram a conter avanço
Bomba de combustível
Combustíveis ficaram mais caros neste mês. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A inflação voltou a subir em Belo Horizonte e pesou mais para quem ganha menos. Nas últimas quatro semanas, o Índice de Preços ao Consumidor Restrito de BH (IPCR-BH), que mede o custo de vida para famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,91%. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo da capital mineira (IPCA-BH), que reflete a média geral de preços na cidade, avançou 0,58%.

Os dados foram divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD) na tarde desta quarta-feira (22).

O resultado mostra maior pressão sobre a base do orçamento. Isso ocorre porque famílias de menor renda concentram gastos em itens essenciais, que tiveram as maiores altas no período.

A inflação foi puxada principalmente por combustíveis e alimentos. A gasolina comum subiu 5,61% e teve o maior impacto no índice, refletindo reajustes ligados ao mercado internacional de petróleo e ao câmbio, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O leite avançou 8,04%, influenciado por custos de produção, clima e oferta, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Devido ao feriado prolongado e à demanda, também contribuíram para a alta as excursões, com variação de 2,68%.

Nos grupos de despesas, que são as categorias que organizam o índice de inflação, como moradia, alimentação e transporte, a alta foi puxada por habitação (1,32%) e produtos administrados (1,05%), que incluem energia, combustíveis, água e tarifas públicas. Esses itens subiram acima da média e têm peso direto no orçamento doméstico.

Por outro lado, parte da pressão foi compensada por quedas em serviços e itens de consumo não essencial.

Refeições fora de casa caíram 1%, festas de aniversário recuaram 5,20% e serviços de streaming tiveram queda de 14,69%. Esses gastos são chamados de discricionários porque dependem mais da decisão das famílias e tendem a ser reduzidos quando o orçamento aperta. A queda pode estar, justamente, atribuída a promoções, reflexo da baixa demanda.

Nos alimentos, o comportamento foi misto. Produtos consumidos dentro de casa subiram (0,67%), enquanto itens in natura recuaram (-1,21%), refletindo a volatilidade da produção agrícola e efeitos de safra.

No acumulado de 12 meses, a inflação está em 3,62% pelo IPCA-BH e em 3,61% pelo IPCR-BH.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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