Quatro estados disputam complexo de baterias da Bravo Motor

A bomba surge nem três meses depois que uma fala do governador Romeu Zema sobre os ganhos e as perdas da produção de veículos elétricos no Brasil viralizou e repercutiu negativamente
Perspectiva Bravo Motors
Perspectiva do complexo industrial da Bravo Motors - Crédito Divulgação

Pelo menos outros quatro estados estariam no páreo pela instalação do Parque Industrial Colossus Cluster da Bravo Motor Company, fabricante de baterias de lítio, sistemas de armazenamento de energia e carros elétricos. Anunciado em 2021 para Nova Lima, na RMBH, o complexo ainda não está 100% garantido para Minas Gerais. Segundo a empresa, faltam incentivos (financeiros e institucionais) do governo estadual.

Localizadas no próprio Sudeste, no Sul e no Nordeste, os interessados já propõem, entre outras coisas, aportes financeiros por, assim como importantes players do mundo, entre fornecedores e clientes, que já possuem acordos firmados com o complexo industrial, apostarem no projeto.

A bomba surge nem três meses depois que uma fala do governador Romeu Zema (Novo) sobre os ganhos e as perdas da produção de veículos elétricos no Brasil viralizou e repercutiu negativamente. Durante a abertura da 9ª edição do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), em novembro passado, em São Paulo, o líder do Executivo mineiro ponderou os ganhos e as perdas da instalação de cadeias produtivas de veículos elétricos no País.

Esta não seria a primeira perda mineira no campo dos investimentos, tampouco, o único empreendimento bilionário, anunciado nos últimos anos, a ficar só no papel. A título do que aconteceu com a Fiat, instalada há décadas em Betim e que, em 2010, optou por implantar em Pernambuco, uma nova operação, que deu origem à unidade brasileira da Jeep (do mesmo grupo). Na época, incentivos do estado do Nordeste foram determinantes para a decisão da montadora. Devido à concorrência, Minas Gerais perdeu não apenas investimentos vultosos, mas também milhares de empregos.

Surge agora uma nova preocupação, justamente no setor que mais tem se transformado diante da necessidade global da eletrificação. E também no momento em que o complexo já conta com respaldo formal de players importantes como a Rockwell Automation, a SMC Automação do Brasil, a ABB e, mais recentemente, as chinesas Eve Energy e a AI-Bess Technolog. “São os principais técnicos do mundo dizendo que temos o melhor em termos de tecnologia, posicionamento e estratégia”, destaca o CEO da Bravo Company, Eduardo Javier Muñoz.

Minas Gerais pode perder a fábrica de baterias e veículos elétricos? Entenda

A opção para Minas não perder o investimento, conforme Muñoz, seria o governo de Minas Gerais, de alguma maneira, bancar o projeto. E, segundo ele, isso não quer dizer garantir a totalidade dos R$ 20 bilhões estimados para o complexo. Mas, talvez, investir parte considerada irrisória desses recursos, de maneira a validar o empreendimento. Ou, até mesmo, institucionalmente, respaldá-lo.

“Quando você quer que um monstro desse se instale, você tem que ser o primeiro a por dinheiro. Como eu explico para o investidor estrangeiro que, localmente, ainda não conseguimos levantar capital?”, disse o executivo ao O Fator.

Fato é que a eletrificação já é realidade no setor automotivo de alguns países europeus, na China e nos Estados Unidos. E o Brasil caminha a passos tímidos neste mercado, mas cada vez mais montadoras e consumidores têm convergido rumo a uma mobilidade mais sustentável, seja pelo lançamento de carros elétricos ou híbridos, ou pela troca de carros movidos a combustão.

“Ninguém conseguiu, até hoje, parar a tecnologia. Ela avança com ou sem você. Tentar parar uma transição no Brasil por receio da adaptação, enquanto o mundo acelera, no meu entender, é um erro estratégico grave. Temos que achar outro espaço para nossas indústrias nesse novo mundo, que já está acontecendo com ou sem a gente”, defende.

Pelas redes sociais, o executivo externou que entende que a situação econômica do Estado não permite apostas mais importantes e que não é política do atual governo a participação ativa na atividade privada. O que respeita, pois “mesmo assim tem havido esforços para fazer as coisas acontecer”.

Ao mesmo tempo, ele alertou que os concorrentes da Bravo pelo mundo desfrutam de aportes e subsídios públicos, e que é preciso reduzir o “gap” entre as realidades de cada projeto.

“Todas as fábricas da nossa indústria, mesmo aquelas que não têm acesso à tecnologia, mas sim a necessidade do produto, têm sido apoiadas no início com investimento e financiamento dos estados onde são instaladas”, postou no LinkedIn. E destacou que a Tesla, maior e mais valiosa empresa do setor, só instala unidades de produção onde recebe fundos e subsídios.

“Somos gratos ao Governo do Estado de Minas Gerais pelo apoio recebido e continuamos a trabalhar para termos uma unidade de produção local. […] temos um compromisso com esta comunidade e carinho pela sua gente”, garantiu.

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