O homem que tentou disputar o Senado em Minas à revelia do próprio partido

Motorista apresentou candidatura avulsa ao Congresso Nacional, mas acabou barrado semanas depois por falta de aval da sigla
O plenário do Senado Federal
Wellington Wadson Lins tentou registrar candidatura mesmo sem constar em convenção. Acabou barrado. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

A Rede Sustentabilidade apoiou duas candidatas ao Senado Federal por Minas Gerais neste ano. Um filiado, porém, resolveu que seria a terceira opção. O motorista Wellington Wadson Lins registrou candidatura à Casa Alta no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) por conta própria e foi barrado pela Justiça Eleitoral a pedido do partido.

O Fator descobriu a “candidatura” de Wellington nesta semana, ao buscar informações relativas às prestações de contas entregues pelos participantes da eleição deste ano. Ele não aparece no sistema da Justiça Eleitoral destinado a exibir dados sobre os componentes das chapas, mas consta na ferramenta de acesso a processos judiciais conectados ao pleito.

A Rede forma uma federação com o Psol. Em Minas, a coalizão apresentou a pessolista Áurea Carolina ao Senado e, adicionalmente, deu apoio a Marília Campos, eleita pelo PT — Domingos Sávio, do PL, foi o outro vencedor. A decisão de caminhar com Áurea e Marília consta na ata da convenção do partido, o que não aconteceu no caso de Wellington. Mesmo sem ser mencionado nesse documento, ele resolveu se registrar.

No pedido de protocolo da candidatura, encaminhado em 24 de agosto ao TRE-MG, o motorista apontou até mesmo o número de urna que queria usar. Quatro dias depois, a coligação liderada pelo PT, do qual a Rede fez parte, pediu a impugnação dele.

Em 10 de setembro, o desembargador Sálvio Chaves deu razão ao partido e barrou a iniciativa de Wellington. O magistrado ainda apontou um ponto inusitado: o requerimento apresentado por ele à Justiça Eleitoral, apesar de conter, além do número de urna, a foto a ser exibida aos eleitores, não apontava os nomes dos dois suplentes.

“As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade são aferidas no momento da formalização do pedido de registro, constatando-se no presente feito vício substancial e insanável decorrente da inexistência de deliberação convencional favorável à candidatura”, escreveu.

Segundo Paulo Miranda, porta-voz da Rede Sustentabilidade em Minas Gerais, Wellington tentou emplacar a candidatura durante a convenção da federação que a legenda forma com o Psol. O pedido foi negado.

“Estávamos apoiando Áurea e Marília. Não havia a menor condição dele ser candidato”, diz.

Outro lado

O Fator procurou Wellington Wadson para comentar o caso. Mesmo confrontado com a informação de que seu nome não constava na ata de aprovados em convenção, ele afirmou que, durante a sessão, recebeu sinal verde para concorrer.

“Me apresentei na convenção como chapa única. Eles não tinham nada que me desabonasse”.

Em 2024, Wellington concorreu a vereador de Belo Horizonte pela Rede. Como estava inelegível, não teve os votos validados.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

O homem que tentou disputar o Senado em Minas à revelia do próprio partido

Leia também:

O homem que tentou disputar o Senado em Minas à revelia do próprio partido

STF decide futuro de ‘Diário da Cadeia’, romance assinado com pseudônimo de Eduardo Cunha e que narra prisão do ex-deputado

Maristela Rangel: a coragem de jogar junto

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse