A Rede Sustentabilidade apoiou duas candidatas ao Senado Federal por Minas Gerais neste ano. Um filiado, porém, resolveu que seria a terceira opção. O motorista Wellington Wadson Lins registrou candidatura à Casa Alta no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) por conta própria e foi barrado pela Justiça Eleitoral a pedido do partido.
O Fator descobriu a “candidatura” de Wellington nesta semana, ao buscar informações relativas às prestações de contas entregues pelos participantes da eleição deste ano. Ele não aparece no sistema da Justiça Eleitoral destinado a exibir dados sobre os componentes das chapas, mas consta na ferramenta de acesso a processos judiciais conectados ao pleito.
A Rede forma uma federação com o Psol. Em Minas, a coalizão apresentou a pessolista Áurea Carolina ao Senado e, adicionalmente, deu apoio a Marília Campos, eleita pelo PT — Domingos Sávio, do PL, foi o outro vencedor. A decisão de caminhar com Áurea e Marília consta na ata da convenção do partido, o que não aconteceu no caso de Wellington. Mesmo sem ser mencionado nesse documento, ele resolveu se registrar.
No pedido de protocolo da candidatura, encaminhado em 24 de agosto ao TRE-MG, o motorista apontou até mesmo o número de urna que queria usar. Quatro dias depois, a coligação liderada pelo PT, do qual a Rede fez parte, pediu a impugnação dele.
Em 10 de setembro, o desembargador Sálvio Chaves deu razão ao partido e barrou a iniciativa de Wellington. O magistrado ainda apontou um ponto inusitado: o requerimento apresentado por ele à Justiça Eleitoral, apesar de conter, além do número de urna, a foto a ser exibida aos eleitores, não apontava os nomes dos dois suplentes.
“As condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade são aferidas no momento da formalização do pedido de registro, constatando-se no presente feito vício substancial e insanável decorrente da inexistência de deliberação convencional favorável à candidatura”, escreveu.
Segundo Paulo Miranda, porta-voz da Rede Sustentabilidade em Minas Gerais, Wellington tentou emplacar a candidatura durante a convenção da federação que a legenda forma com o Psol. O pedido foi negado.
“Estávamos apoiando Áurea e Marília. Não havia a menor condição dele ser candidato”, diz.
Outro lado
O Fator procurou Wellington Wadson para comentar o caso. Mesmo confrontado com a informação de que seu nome não constava na ata de aprovados em convenção, ele afirmou que, durante a sessão, recebeu sinal verde para concorrer.
“Me apresentei na convenção como chapa única. Eles não tinham nada que me desabonasse”.
Em 2024, Wellington concorreu a vereador de Belo Horizonte pela Rede. Como estava inelegível, não teve os votos validados.