A 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, reuniu nesta sexta-feira (24) alguns dos maiores caciques nacionais do PSD. As divergências do partido em Minas Gerais foram expostas durante o discurso do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele foi o único pessedista a elogiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao lado de Silveira, a lista de filiados ao PSD presentes à atividade teve o pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o governador mineiro Mateus Simões, o senador Carlos Viana e a prefeita anfitriã, Elisa Araújo. Os presidentes nacional e estadual da sigla, Gilberto Kassab e Cássio Soares, também compareceram.
Silveira, que se prepara para assumir um cargo na coordenação da campanha presidencial de Lula, lembrou que é um dos fundadores do PSD. O ministro disse que conversou com Kassab e antecipou que ele e o líder nacional da sigla estarão em lados diferentes no pleito deste ano.
“Por gratidão e lealdade ao presidente Lula, e por entender que sua reeleição é o melhor caminho para o país, não subiremos no mesmo palanque”, destacou.
Caiado foi na mão contrária e, sem citar Lula, cobrou “estratégia de futuro” do governo federal.
“O Brasil precisa de estratégia de futuro para poder superar as dificuldades. A governança é fundamental para que aquele que está na cadeira da Presidência possa ser um Norte, um marco para garantir que o país seja autossuficiente na segurança alimentar”, pediu.
Conforme mostrou O Fator, a permanência de Silveira no partido foi articulada com a participação de Lula, projetando um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Confirmado este cenário, o ministro atuará para convencer lideranças do PSD a ingressar na campanha petista.
Ronaldo Caiado, por sua vez, também não terá o apoio do governador mineiro na corrida pelo Palácio do Planalto. Simões tem acordo firmado com Kassab para apoiar seu antecessor, Romeu Zema (Novo).
Nesta semana, Cássio Soares disse à reportagem que não há desconforto no fato de integrantes do partido caminharem em direções diferentes na corrida ao Planalto. Ainda segundo ele, as pré-candidaturas de Zema e Caiado não se chocam.
“Mais cedo ou mais tarde, ele (Caiado), Zema e Flávio (Bolsonaro, do PL) estarão juntos em um palanque — seja no primeiro ou no segundo turno. Não é uma candidatura conflitante com os projetos de Zema e de Flávio. Não há desconforto algum em receber o Caiado e apresentá-lo”, pontuou.
Encontro entre pré-candidatos
A abertura da safra sucroalcooleira em Uberaba também serviu para um encontro entre pré-candidatos ao Senado, visto que, além de Viana, bateram ponto o deputado federal Domingos Sávio, do PL, e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, do PT.
Viana e Sávio, que miram o eleitor à direita, aliás, já haviam se encontrado em outra agenda pelo interior mineiro nesta semana.