Integrantes da direção nacional do PL sinalizaram a representantes da federação formada por União Brasil e PP que querem tratar sobre uma aliança caso o ex-secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, o deputado federal Marcelo Aro (PP), concorra ao governo.
O Fator apurou que o aceno parte de duas premissas: a busca por reciprocidade no plano nacional — e, consequentemente, o apoio de União e PP ao senador Flávio Bolsonaro (RJ) na disputa pela Presidência da República — bem como dar foco à pré-candidatura do deputado federal liberal Domingos Sávio ao Senado por Minas Gerais.
Ter maioria no Senado na próxima legislatura é um plano do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro que começou a ser traçado ainda em 2023, após vitórias da oposição na Câmara dos Deputados não se consolidarem na Casa Alta em razão da baixa representatividade.
Um eventual endosso ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na corrida ao Palácio Tiradentes, com Domingos Sávio como o nome da chapa ao Senado, segue no radar do PL. Cleitinho, entretanto, ainda não decidiu se entra no páreo pela sucessão estadual.
Além disso, assim como a federação União Brasil e PP, o Republicanos trabalha com a ideia de se manter neutro no primeiro turno das eleições ao Palácio do Planalto, principalmente em função de novos fatos que mostram a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, do banco Master.
Planos e mais planos
Antes de buscar conversas com Aro, os liberais vinham considerando, como plano B a Cleitinho, uma candidatura própria ao Executivo estadual. Agora, pelo que soube a reportagem, a hipótese é tratada como menos provável.
Se a opção for por um nome interno, o PL tem como alternativas o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
Cenário de incertezas
Pré-candidato ao Senado, Aro passou a ser tratado como possibilidade para o governo estadual na semana passada, após conversa entre deputados federais de União e PP com as cúpulas nacionais das legendas.
Lideranças como Antônio Rueda, presidente nacional do União, encampam a iniciativa. A avaliação é de que uma candidatura da federação ao governo seria benéfica para os partidos federados e poderia, inclusive, atrair o apoio de siglas que ainda não definiram o que fazer, como os já citados PL e o Republicanos.
Esse cenário colocou pressão sobre o PSD, agremiação do governador Mateus Simões. Pré-candidato à reeleição, ele deseja caminhar ao lado de União e PP, tendo Aro como postulante à Casa Alta do Congresso.
O ex-secretário, contudo, tem dito que não estará na coalizão encabeçada pelos pessedistas se o senador Carlos Viana pleitear a reeleição.
Componentes da federação União-PP, que antes avaliavam o movimento em torno de uma candidatura de Aro como mecanismo para forçar o PSD a retirar Viana da disputa pelo Senado, agora acreditam que o plano pode, sim, ser levado adiante. No início desta semana, o tema voltou a ser tratado em reunião entre lideranças das duas siglas.
Na avaliação de pessoas a par do tema, o eventual embarque de PL e Republicanos daria musculatura à ideia.
Aliados de Aro pregam cautela
Aliados de Aro ponderam que, neste momento, o ex-deputado federal é postulante ao Senado pela chapa de Simões. O desembarque, pontuam, só acontecerá se Viana for mantido na coligação. Nesse desenho, completam, uma candidatura ao governo passaria a ser tratada.