O Partido Liberal (PL) lidera o crescimento de filiações em Minas Gerais desde as eleições de 2022, mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidados por O Fator. De acordo com a Corte, a legenda, que abriga as principais lideranças conservadoras do país, ganhou cerca de 17 mil associados em quase quatro anos, ultrapassando a marca de 100 mil inscritos. O último balanço disponível é de abril deste ano.
Por outro lado, 13 partidos viram o número de filiados diminuir desde as eleições de 2022. O pior dos casos envolve o PRD, legenda que nasceu da fusão entre Patriota e PTB: houve recuo de 9,6 mil associados.
A favor do PL, pesa a imagem que o partido tem como “casa” do bolsonarismo. Os liberais têm hoje 12 parlamentares na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e mais 14 na bancada mineira da Câmara dos Deputados — entre eles Nikolas Ferreira, o deputado federal mais votado do Brasil em 2022.
No quadro geral, entre altas e quedas, o número de filiados a partidos políticos em Minas permanece estagnado desde 2022. Entre outubro daquele ano, mês em que os eleitores foram às urnas, e o último balanço do TSE, houve crescimento de apenas 1% no número total de associados. O dado atual é de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas diretamente envolvidas nas agremiações.
“A população não se mobiliza totalmente em termos de identidade partidária. O eleitor vota mais na pessoa do que no partido. Claro, existe uma parcela do eleitorado mais mobilizada, que se orienta mais ideologicamente. Essa realmente busca alguma agremiação. Mas, a realidade é que a maior parte do eleitorado não se sente interessada em filiação. Essa estagnação é normal, porque a maior parte da população não é programática e só se envolve durante a eleição”, afirma o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec em Belo Horizonte.
Líder despenca
Historicamente muito presente no interior do estado, o MDB permanece na ponta da tabela de filiados a partidos em Minas Gerais. São cerca de 180 mil atualmente vinculadas à agremiação. O quadro recente, no entanto, não é animador.
Desde as eleições de 2022, o MDB perdeu quase 9 mil filiações — só o PRD o supera em termos de queda.
Outra legenda tradicional da política brasileira, o PSDB também registra um recuo significativo. A queda entre os tucanos é de 8,2 mil filiações.
Ainda assim, a legenda que governou o estado por quase duas décadas registra o quarto maior número de filiados atualmente em Minas — atrás apenas de MDB, PT e PRD (considerando os números dos extintos Patriota e PTB).
PT tem leve alta
Fora do governo do estado desde 2018, quando não conseguiu reeleger Fernando Pimentel, o PT apresentou um pequeno aumento de filiações desde o último pleito federal, mostram os dados do TSE.
O incremento de 2% aconteceu a partir de 3,5 mil adesões aos seus quadros no período. Atualmente, são quase 170 mil filiados — o segundo maior contingente de Minas.
O cientista político Paulo Ramirez, professor da ESPM, ressalta que a situação do PT é retrato da conjuntura partidária nacional.
“É interessante pensar que, nos últimos 10 anos, tivemos impeachment (de Dilma Rousseff), a ascensão do Bolsonaro, a prisão do Lula e a liberdade do atual presidente. Depois, ainda, a tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro. Mas, ainda assim, o número se mantém estável. Isso mostra que os partidos estão distanciados dos ânimos populares”, afirma.
“Isso também mostra que há uma manutenção de uma certa elite que comanda os partidos”, complementa o especialista.
Ideologia clara faz diferença
Atores ainda recentes da política partidária brasileira, UP e Novo apresentam, proporcionalmente, as maiores altas em número de filiados em Minas Gerais, desde a última eleição federal.
Enquanto a sigla de esquerda teve alta de aproximadamente 220%, a legenda do ex-governador Romeu Zema apresentou crescimento de 180% no número de adesões desde então.
“A filiação espontânea só acontece de maneira ideológica. A UP é um partido recente, que traz uma luta social muito demarcada. Isso atrai os jovens que têm uma ação política mais engajada. É um discurso mais sedutor para quem vê a política como ferramenta de conquistas sociais”, analisa Paulo Ramirez.
Quanto ao Novo, Adriano Cerqueira afirma que há influência clara de Zema nos dados. “É um partido mais programático e bastante novo em termos de fundação, portanto tende a ter uma curva de crescimento mesmo. Ainda mais aqui em Minas, já que o partido elegeu o governador duas vezes. Aí, entram as influências de prefeitos, vereadores etc.”, explica.
Última legenda a surgir no espectro do TSE, o direitista Missão também já apresenta dados representativos. O partido soma cerca de 2 mil filiados, o que o coloca à frente de outros nanicos, como PSTU, PCO e PCB.