Plenário da ALMG dá sinal verde à tramitação de projeto para privatização da Copasa

Texto, que vincula recursos da venda da estatal ao pagamento de parte da dívida com a União, será inicialmente analisado pela CCJ
Foto mostra a sede da Copasa
A sede da Copasa, em BH. Foto: Copasa/Divulgação

O projeto de lei que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai começar a tramitar na Assembleia Legislativa. O texto foi lido em plenário nesta quinta-feira (25) e, com isso, já pode ser analisado pelas comissões temáticas da Casa. A versão formalmente entregue aos parlamentares é um substitutivo protocolado pelo governador Romeu Zema (Novo) no início do mês, a fim de vincular o uso dos recursos da venda da estatal na amortização da dívida mineira com a União.

A leitura do projeto da Copasa aconteceu nove meses após o envio, à Assembleia, da versão original do projeto. Em seus termos iniciais, a proposta de privatização não “carimbava” as receitas provenientes da transação.

A primeira comissão a analisar o projeto de privatização da Copasa será a de Constituição e Justiça. O texto será examinado pela Assembleia de forma independente à Proposta de Emenda de Constituição (PEC) que retira a necessidade de referendo popular para validar a venda da empresa hídrica. A PEC também vincula as receitas da desestatização ao pagamento da dívida.

Em mensagem anexa ao substitutivo da Copasa, Zema diz aos parlamentares que a decisão de desestatizar a empresa foi tomada por causa da existência de “riscos” inerentes à manutenção do saneamento básico sob o guarda-chuva do setor público. 

“Considerando o novo cenário nacional referente ao saneamento básico, após longos e refletidos estudos sobre a matéria, levando-se em conta a vantajosidade e os riscos de manutenção da Copasa-MG sob controle do Estado, principalmente no que se refere ao cumprimento das metas de universalização do serviço e capacidade de investimento atual da companhia, a conclusão foi pela necessidade de abertura de seu capital”, lê-se em trecho do texto assinado por Zema.

O Palácio Tiradentes estima arrecadar R$ 4 bilhões com a venda de ações da Copasa. Um dos modelos aventados para estruturar a operação é o follow on, seguido pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A tática é baseada na emissão de novos papéis na Bolsa de Valores, ampliando a participação da iniciativa privada e reduzindo o peso dos títulos sob o controle estatal.

Nova lei da Arsae

Além da PEC do fim do referendo, a privatização da Copasa carece de outro projeto. Trata-se da proposição que aborda a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado (Arsae).

O texto da Arsae, aliás, teve o fatiamento sugerido pelo presidente da CCJ da Assembleia, Doorgal Andrada (PRD). O plano é fazer tramitar um projeto especificamente sobre a reformulação das competências da autarquia e, paralelamente, examinar um segundo documento, com critérios para a regionalização dos serviços de saneamento, formando blocos de municípios.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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