Por que ala do União Brasil vê eleição nacional como crucial para decisão sobre apoio a Mateus Simões

Federado com o Progressistas, o partido ainda não oficializou apoio a um dos candidatos ao governo do estado
O governador Mateus Simões (PSD) em primeiro plano, com backdrop da Defensoria Pública de Minas Gerais ao fundo.
O governador Mateus Simões (PSD) ainda articula ampliação de aliados para as eleições. Foto: Karoline Barreto/Imprensa MG.

Uma ala do União Brasil, que forma uma federação com PP, acredita que o cenário da eleição nacional irá influenciar os rumos do partido na disputa pelo governo de Minas Gerais. Para esse grupo, a confirmação da candidatura do ex-governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República poderia comprometer uma composição com o atual governador Mateus Simões (PSD).

O entendimento do setor do União que não crava uma eventual aliança com Simões é de que, no plano nacional, há mais inclinação para o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Assim, caso Zema mantenha a candidatura, Flávio não encontraria palanque em Minas por meio de Simões, o que afastaria a federação de uma caminhada ao lado do atual governador.

Outra ala do União Brasil atribui menos peso à conjuntura nacional na decisão a ser tomada. O que influencia na equação dessas fontes é a possibilidade de ocupar o cargo de vice-governador na chapa do senador Cleitinho Azevedo, a partir de uma composição com o Republicanos.

Os poréns a respeito de uma aliança com Simões vão na contramão do afirmado pelo presidente da executiva nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI), a O Fator em março. Ele garantiu que a federação manteria o acordo de apoiar Simões para o governo e o ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), para o Senado em Minas.

O apoio a Pacheco

Além de Cleitinho, o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB) é bastante comentado nos corredores do União. Apesar de uma composição ser tratada como difícil, parte do partido é bastante próxima ao ex-presidente do Congresso e poderia apoiá-lo informalmente, mesmo sem um acordo oficial entre as partes.

A dificuldade de uma composição com Pacheco também passa pelo cenário nacional. Caso o senador seja candidato — ele ainda não confirma oficialmente — os bastidores apontam para uma campanha ao lado do presidente Lula (PT), o que afastaria Progressistas e União Brasil de qualquer possibilidade de acordo oficial.

Damião prega calma

Coordenador da federação entre União Brasil e Progressistas em Minas Gerais, o prefeito de BH Álvaro Damião (União) já sinalizou, em entrevistas diferentes à imprensa, que não há acordo fechado por enquanto.

Em março, em evento da federação, o governador Mateus Simões chegou a anunciar um acerto entre as partes. “Houve muita especulação, mas o União nunca saiu da nossa composição. O presidente Ciro Nogueira (da executiva nacional do PP) deu até uma entrevista e falou: ‘olha, essa conversa não existe’”, afirmou à época, em menção exatamente à declaração de Ciro a O Fator.

Essa costura, no entanto, nunca foi confirmada por Álvaro Damião ou por outros dirigentes da federação.

“Estamos deixando para que o processo político primeiro se escolha, depois nós temos que escolher entre eles. Quem tem que escolher primeiro? É uma ordem simples: primeiro são os candidatos. Não adianta a gente escolher o candidato A ou B, se esse candidato nem sabe se vai ser candidato. Chegou amanhã e mudou tudo. Vamos escolher no momento certo”, disse à Rádio Itatiaia na última sexta-feira (17).

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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