Propag: cessão de direitos creditórios é aprovada por deputados em 2° turno e federalização da Codemig recebe aval de comissão

Textos ligados à renegociação da dívida de Minas com a União avançaram na Assembleia Legislativa nesta terça (24)
O plenário da Assembleia de Minas.
O plenário da Assembleia de Minas. Foto: Henrique Chendes/ALMG

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) teve, nesta terça-feira (24), uma tarde movimentada no que tange ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O plenário da Casa aprovou, em 2° turno, um projeto de lei que permite a cessão, à União, de créditos tributários que o estado tem a receber a fim de abater um débito que supera os R$ 162 bilhões. Já a federalização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) recebeu o aval da Comissão de Administração Pública (APU) e, agora, está a um passo de ser votada em plenário em 1° turno.

A cessão de direitos creditórios ainda depende de sanção do governador Romeu Zema (Novo). O texto autoriza o repasse, ao governo federal, da prerrogativa de receber valores devidos ao governo do estado por contribuintes que deixaram de pagar impostos, taxas, multas e outras obrigações

Toda a carteira de créditos inscritos na dívida ativa estadual poderá ser transferida ao Executivo federal. Segundo a proposta, Minas Gerais não terá responsabilidade sobre eventuais inadimplências dos devedores.

Como já mostrou O Fator, o Palácio Tiradentes chegou a consultar o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre eventual interesse das instituições em estruturar e executar as operações de cessão dos direitos creditórios.

Um outro projeto sobre a cessão de recebíveis foi aprovado em 2° turno. A proposição trata das compensações previdenciárias, valores que Minas tem a receber por causa do acerto de contas entre o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e o Regime Geral de Previdência Social (RGPS)

A necessidade de restituir os governos locais foi definida porque, anteriormente à criação dos regimes próprios, os servidores estaduais e municipais contribuíram com o Regime Geral.

Federalização da Codemig

O texto sobre a federalização da Codemig, por seu turno, ainda será analisado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) da Assembleia antes de chegar ao plenário para o 1° turno.

A transferência das ações da estatal à União se insere na regra do Propag que permite o abatimento de 20% da dívida das unidades da federação por meio da dação de ativos. A Codemig é responsável pela exploração, em parceria com a privada CBMM, das jazidas de nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba.

A Comissão de Administração Pública também aprovou a federalização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge), controladora da Codemig. Nos termos aprovados pelo comitê, a entrega das ações das empresas à União só poderá acontecer após a adesão ao Propag — a versão original dos textos permitia a federalização a partir do pedido do estado para ingressar no plano de refinanciamento.

O BNDES será o responsável por definir o valor amortizado da dívida mineira a reboque das federalizações de Codemig e Codemge. A data-limite para adesão ao Propag é 31 de dezembro. Preocupado com a possibilidade de não concluir a avaliação das empresas dentro de tal prazo, o banco sugeriu, ao Ministério da Fazenda, que as ofertas de repasse de ativos sejam feitas pelos estados com a apresentação de laudos de avaliação próprios.

Assim, o exame do BNDES sobre o valor de estatais aconteceria em um segundo momento, sem a obrigatoriedade de uma avaliação do banco no ato da apresentação das ofertas de dação de bens. Nesse cenário, os laudos da instituição teriam o papel de subsidiar a União na decisão de aceitar, ou não, as propostas.

Um estudo da Codemig chegou a indicar que os dividendos pertencentes à empresa na sociedade com a CBMM poderiam chegar a R$ 59 bilhões. O documento, contudo, acabou retirado do site da Secretaria de Estado de Fazenda.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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