TCU arquiva representação que pedia investigação de viagem de Nikolas em avião de Vorcaro

Corte de Contas não identificou uso de recursos públicos e pontuou que caso é de competência da Justiça Eleitoral
Nikolas aparece ao lado de figuras religiosas diante de jatinho
Influenciadora cristã registrou momento ao lado de Nikolas em viagem durante o 2° turno de 2022. Foto: Reprodução

O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou representação que pedia a apuração da origem dos recursos que financiaram viagens aéreas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o 2° turno da eleição de 2022. A solicitação, expedida pelo Ministério Público junto ao TCU, mencionava o fato de Nikolas ter voado em um jatinho do empresário Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez desde março e dono do Banco Master, liquidado extrajudicialmente.

O acórdão que oficializa o arquivamento foi assinado em 25 de abril. Ao justificar a decisão, a Corte de Contas pontuou que admissão de representações exige “lastro probatório mínimo, com elementos objetivos aptos a demonstrar, ao menos em juízo sumário, nexo com recursos públicos federais e plausibilidade da irregularidade apontada”.

Ainda conforme o Tribunal, os fatos narrados no pedido do MP junto ao TCU estão relacionados à forma de custeio de despesas eleitorais. O exame de casos do tipo, sustenta o acórdão, é de competência da Justiça Eleitoral.

A denúncia foi apresentada pelo subprocurador-geral do MPTCU, Lucas Rocha Furtado. Nikolas nega ter conhecimento de que Vorcaro era proprietário do avião. 

O que diz Nikolas?

O caso foi revelado em 3 de março pela colunista Malu Gaspar, de O Globo. Um dos principais cabos eleitorais de Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição, Nikolas embarcou na aeronave ao lado do pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja da Lagoinha. 

A viagem foi registrada nas redes sociais pela influenciadora religiosa Jey Reis, que publicou uma foto ao lado de Nikolas, de Batista e de Mariel, esposa do pastor.

“Eu sempre estive tranquilo, porque sei que não fiz nada de errado. No fim, simplesmente aconteceu o óbvio. Não teve irregularidade, não teve dinheiro público e não teve nada além de mais uma tentativa frustrada de ataque político”, disse o parlamentar, ao ser procurado para comentar o arquivamento.

O relator da questão no TCU foi o ministro Antonio Anastasia.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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