Em um país minimamente, digamos, normal, entre eleger um presidente com o passado e o presente de Lula e de Flávio Bolsonaro, em que escândalos de corrupção, ligação com o crime organizado e completa incompetência ou incapacidade administrativa são marcas mais do que registradas, e um ex-governador, ainda que simplório e intelectualmente sofrível, do segundo maior colégio eleitoral do país, sem máculas no currículo e até mesmo com uma boa administração a seu favor, a escolha correta seria Romeu Zema.
Mas estamos em Banânia, onde a ficha corrida de um político, quanto mais suja, melhor. E nem preciso lembrar a todos o que foram o mensalão e o petrolão ou escândalos do INSS, das joias sauditas e das rachadinhas. Tampouco as compras de dezenas de imóveis em dinheiro vivo sem o devido lastro. Aliás, sobre imóveis, também acho que não preciso lembrar dos sítios em Atibaia, dos triplex do Guarujá, das casas em Angra dos Reis e das mansões luxuosas em Brasília e nos Estados Unidos.
A surpresa, portanto, não é a inexpressiva votação de Zema, mas como entrou médio e saiu nanico dessas eleições. Desde a insistência em se lançar pré-candidato à Presidência da República, implodindo um bem-traçado plano de coligações, que incluiria PSD, PL, Novo e até mesmo o Republicanos, que acabou embarcando, a contragosto, na candidatura vencedora de Cleitinho Azevedo, Zema não só implodiu a reeleição de seu ex-vice, Mateus Simões, como enfraqueceu a candidatura de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.
Um traço e nada mais
Para além desse erro fatal inicial, o ex-governador mineiro tornou-se um candidato de uma tecla só: o combate ao STF. Ocorre que, para isso, ninguém precisa de Zema. O Bolsokid 01 tem muito mais legitimidade no assunto. Bolsokid, aliás, que virou alvo – corretamente, diga-se – de pesadas críticas do apreciador de casca de banana, quando este disse ser “imperdoável” a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Naquele momento, fazendo o correto, Zema enterrou de vez qualquer chance eleitoral.
Completamente perdido em seus discursos erráticos e se comportando como biruta de aeroporto – ao sabor dos ventos -, Romeu Zema foi perdendo atratividade e tornou-se um figurante, além de patético, chato. A cada nova pesquisa, descia mais um degrau rumo à insignificância. Mas creio que ninguém – e eu tampouco – poderia esperar um resultado tão humilhante assim. E, eu diria sem medo de errar, injusto com o bom trabalho dele no estado e também com sua honradez, que ninguém pode contestar.
Para piorar o que já era péssimo, Zema não “liberou” Simões para apoiar Flávio Bolsonaro na reta final, mantendo o governador preso, por lealdade e bom caráter, à sua naufragada candidatura. E, como chave de ouro, encerrou sua melancólica campanha utilizando o celular na urna eletrônica – o que é proibido por lei -, fazendo expressão de idiota ao olhar para a tela em busca dos candidatos e, mais grotesco ainda, mentindo descaradamente em entrevista ao afirmar que fez a “cola” em um pedaço de papel.