Perfume de Bolsonaro cheira a prisão

O perfume de Bolsonaro esgotou em seis horas, ou seja, parece ser um sucesso de vendas
Bolsonaro lança perfume ao lado de Michelle e do maquiador Agustin
Uma imagem que vale por mil cheiros (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Gosto não se discute, pois como bumbum, cada um tem o seu. Passei mais de 25 anos trabalhando no mercado brasileiro de perfumaria. Primeiro, como fornecedor de essências em uma gigante multinacional de fragrâncias e aromas. Depois, como fabricante e distribuidor de perfumaria no varejo nacional. Sem modéstia alguma, confesso que poucos entendem tanto e tão bem deste mercado quanto eu, e pouca gente neste País conhece tantos estados (capitais e interior) também.

Cada região tem sua preferência olfativa e, claro, condição financeira para comprar o produto que mais gosta. Por causa da desvalorização do real, perfumes de grife importados custam mais de mil reais. Marcas de prestígio e semi prestígio nacionais oferecem ótimos produtos entre 150 e 300 reais. Já na perfumaria de massa, encontramos deo-colônias a partir de 15 ou 20 reais, e outras, mais elaboradas, por valores entre 50 e 100 reais.

Jair Bolsonaro, o ex-verdugo do Planalto, estreou neste mercado gigantesco, um dos quatro maiores do mundo ao lado de Estados Unidos, China e Japão. O mito optou pela prateleira de cima e lançou sua fragrância a 197 reais. A venda se dará, em princípio, pela internet, a partir da loja do influenciador e maquiador Agustin Fernandez.

Fato é que o perfume de Bolsonaro esgotou em seis horas, ou seja, um sucesso de vendas. Anos atrás, era bastante comum perfumes associados a personalidades e artistas. Sempre foi um mercado de altos e baixos, algo meio de moda, entendem? Nada que indique estabilidade e vigor de vendas em longo prazo. Ainda assim, justamente pelo apelo afetivo com os licenciadores (os famosos) valores expressivos de venda costumam ser observados.

Não há informação do lote inicial que esgotou. Pode, inclusive, ser uma estratégia de marketing: produzir pouco e logo anunciar que esgotou o produto. O Mcdonald ‘s acaba de fazer algo semelhante com o McFish, que deixou de ser produzido no Brasil. Em edição limitada, abriu pré-venda e comercializou tudo em poucas horas.

Não conheço o perfume do maníaco do tratamento precoce. Não sei se cheira tabaco ou ivermectina. Quem sabe, cloroquina? Fato é que, aroma mesmo, o que mais ronda Bolsonaro e sua trupe nos dias de hoje é o de prisão. Se ir para a Papuda cheiroso muda alguma coisa, não sei. De qualquer modo, é sempre bom estar asseadinho. Vai que alguém tenta dar um cheiro.

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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