O cálculo de Lula para dizer que dívida pública de Minas ultrapassa os R$ 190 bilhões

Presidente da República falou sobre o tema nesta sexta-feira (29), em meio a críticas a Zema
Romeu Zema e Lula conversam
Minas e União negociam amortização da dívida estadual. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (29), que a dívida pública de Minas Gerais está em torno dos R$ 191 bilhões. O valor citado pelo chefe do Executivo federal, além de desatualizado, não engloba apenas o débito junto à União, abrangendo também contratos sem participação do Palácio do Planalto. 

Uma consulta de O Fator ao site do Tesouro Estadual nesta sexta mostrou que a dívida global de Minas está em R$ 195,23 bilhões. Desse valor, R$ 170,46 bilhões correspondem ao passivo junto à União. Os outros R$ 17,35 bilhões são formados, por exemplo, por débitos contraídos com bancos privados.

A citação de Lula sobre o tamanho do saldo devedor mineiro aconteceu durante entrevista à Rádio Itatiaia. Ele utilizou o número para tecer elogios ao senador Rodrigo Pacheco (PSD), nome de sua preferência para disputar o governo do estado. Pacheco é autor do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), cuja adesão é negociada pelo Palácio Tiradentes a fim de regularizar a situação fiscal.

“Foi a capacidade de Pacheco que permitiu que a gente pudesse organizar o acordo de uma dívida considerada impagável, de R$ 191 bilhões, feita pelo governo de Minas Gerais”, pontuou o presidente.

Lula mencionou o cálculo em meio a críticas ao governador Romeu Zema (Novo), que é pré-candidato à Presidência da República. Desde o anúncio, por parte do chefe do Executivo estadual, de disputar a eleição nacional do ano que vem, o petista intensificou as opiniões negativas a respeito de Zema.

“Não é fácil ser candidato a presidente da República num país megadiverso como o Brasil. Mas acho que as pessoas devem se candidatar. Eu acho que é importante o Zema (se candidatar), sabe? Se ele tiver a performance que ele teve no Roda Viva, vai ser um desastre para ele. Ou ele melhora,  ou deixa de ser o falso humilde e começa a dizer a verdade, começa a dizer coisa concreta, ou vai ser desmoralizado na campanha. É importante que ele se prepare para isso”, alfinetou.

Desejo por manutenção dos vetos

Depois de citar estatísticas a respeito da dívida, Lula comentou a respeito da intenção do governo Zema de derrubar vetos a trechos do Propag.

“Ele (Zema) pode querer derrubar, mas não vai. Vetei aquilo que os senadores compreendem que era preciso vetar”, projetou.

O principal veto cuja revisão é pleiteada pelo Palácio Tiradentes trata do pagamento de débitos contraídos pelos estados junto a entes internacionais, como bancos multilaterais de desenvolvimento. Outras unidades federativas interessadas no Propag também reivindicam a reinclusão do trecho.

No Regime de Recuperação Fiscal (RRF), a União quita os valores com os credores estrangeiros e, depois, acrescenta as cifras ao saldo amortizado. A versão original do Propag adotava a mesma lógica, mas o artigo acabou excluído da redação sancionada.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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