O que Temer, Zema e Nadim Donato disseram a empresários em evento da Fecomércio em BH

Ex-presidente e governador mineiro participaram de painel com teor político e econômico nesta sexta-feira (19)
Anfitrião do encontro, o presidente da Fecomércio-MG, Nadim Donato, disse que a junção de forças entre diferentes setores políticos e sociais pode ajudar, por exemplo, em reformas na máquina pública. Foto: Guilherme Peixoto/O Fator

O ex-presidente Michel Temer (MDB) aproveitou um evento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (19), para defender a construção de um “pacto nacional” entre os Poderes para superar o que chamou de “radicalização”.

Segundo Temer, o diálogo entre Legislativo, Executivo e Judiciário é elemento imprescindível nos debates a respeito das punições aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O pleito por diálogo institucional também deu o tom de falas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Antes, em entrevista coletiva, Temer disse que a proposta de rever a dosimetria das penas pode ser um caminho para resolver a questão, já que uma eventual decretação de anistia tenderia a gerar conflitos com o Judiciário. Aos empresários, ele se aprofundou no tema e salientou que a pacificação vai gerar benefícios ao setor produtivo.

“Se conseguirmos a paz do país, a tranquilização, teremos segurança jurídica e harmonia social para desenvolvimento da área comercial, da área industrial e do agronegócio — e teremos dado um exemplo para o Brasil”, afirmou.

A passagem de Temer por BH aconteceu um dia após ele se reunir com o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto de lei da anistia na Câmara dos Deputados. O parlamentar, que já descartou apresentar um parecer sugerindo perdão irrestrito, sinalizou que seu relatório não deve agradar as alas mais à esquerda e mais à direita.

Polarização versus radicalização

Ainda na palestra, Temer discorreu sobre as diferenças que enxerga entre os conceitos de polarização política e radicalização. Segundo ele, a oposição de ideias é saudável, desde que sob a preservação do diálogo entre as partes.

“O que aconteceu ao longo do tempo foi uma radicalização. Me perguntam se sou a favor da polarização. Sou a favor da polarização de ideias, de conceitos, de programas e de objetivos. Isso é fundamental para a democracia”, assinalou.

Ao comentar os efeitos da radicalização que disse enxergar na sociedade brasileira, o emedebista citou o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Fux não seguiu o entendimento da maioria da Primeira Turma da Corte no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

“A coisa mais natural na área jurídica, particularmente nos tribunais, e especialmente nos colegiados, é que haja votos divergentes”, falou.

Zema: radicalização cria arestas

Corroborando o discurso de Michel Temer, Romeu Zema pontuou que a radicalização política gera tensionamento e cria arestas.

O governador contou ter encontros constantes com representantes de outros Poderes, como o presidente do Tribunal de Justiça (TJMG), desembargador Luiz Carlos Corrêa Júnior, e o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite, do MDB.

“Se começar a haver distensão, as coisas, infelizmente, não avançam. Se qualquer empresário não dialogar com seus fornecedores, clientes e instituições financeiras, fica muito difícil manter um negócio viável”, exemplificou.

Defesa por reformas

Anfitrião do encontro, o presidente da Fecomércio-MG, Nadim Donato, disse que a junção de forças entre diferentes setores políticos e sociais pode ajudar, por exemplo, em reformas na máquina pública.

“Estamos falando muito da reforma administrativa, principalmente a reforma administrativa tecnológica. Se formos discutir salário, teremos problema, mas se formos discutir evolução, tecnologia e enxugamento da máquina, conseguimos fazer a reforma”, opinou.

José Roberto Tadros, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), foi outro a reivindicar uma caminhada rumo à moderação política.

“Há que se oxigenar e modernizar a mentalidade brasileira”, pregou.

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