Pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos) acredita que uma eventual participação do governador Romeu Zema (Novo) como vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “não agregará quase nada de votos”.
Em artigo publicado na segunda-feira (9) no site Poder360, Cunha afirmou que Zema tem enfrentado dificuldades para superar o congressista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisas que medem a preferência do eleitorado mineiro sobre os cenários da disputa ao Palácio do Planalto.
“Se você pegar o exemplo de Minas Gerais, onde o resultado da eleição costuma reproduzir o resultado nacional, Lula venceu nos 2 turnos por lá em 2022, tendo, entretanto, perdido feio a eleição de governador em 1º turno. Por exemplo, o governador de Minas, Romeu Zema, ensaia uma candidatura presidencial. Mas, quando ela é medida em pesquisa, Zema não consegue superar Lula nem Flávio no seu próprio estado, onde se reelegeu em 1º turno”, iniciou, ao abordar a conjuntura mineira.
Cunha citou o estado em um texto a respeito do avanço de Flávio Bolsonaro em recentes levantamentos eleitorais, como o divulgado pelo Datafolha no sábado (7), que mostrou o senador em empate técnico com Lula. Nos cinco cenários da pesquisa, Zema flutua entre 4% e 5% das intenções de voto.
“Se ele (Zema) não consegue convencer os eleitores do seu estado de que poderá ser um bom presidente, não convencerá por certo os eleitores dos demais estados, visto que o seu ativo de campanha deverá ser a propaganda da sua gestão. Até o sucessor que ele tenta emplacar tem dificuldades nas pesquisas”, prossegue o ex-presidente da Câmara dos Deputados, em menção ao vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá o comando do Executivo em 22 de março.
“Por esse raciocínio, não adianta ter Zema como vice de Flávio, pois não agregará quase nada de votos, embora politicamente seja importante uma representação do 2º estado brasileiro na chapa presidencial”, completou.
Até o fim
A hipótese de Zema se aliar a Flávio Bolsonaro é defendida por uma porção dos integrantes do PL mineiro. O arranjo serviria para acomodar os liberais no palanque de Mateus Simões. Enquanto o pessedista declarou apoio ao político do Novo na eleição nacional, os correligionários do ex-presidente Jair Bolsonaro não querem caminhar com um candidato ao governo que peça votos a uma chapa presidencial que não seja encabeçada pelo senador.
Apesar da ideia, Zema tem dito que vai manter a candidatura própria. Ele voltou a dar tal garantia nessa segunda-feira, durante entrevista em Brasília (DF), onde esteve para protocolar um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Levarei a minha pré-campanha e campanha até o final. Estar vice de outro candidato, de certa maneira, é o partido Novo se vergar a questões com as quais não concordamos”, assegurou.
O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, adota a mesma linha discursiva.
“O Novo tem um projeto de lançar o governador Romeu Zema candidato e — candidato até o fim. (Zema é) candidatíssimo à Presidência da República”, salientou, também nessa segunda-feira, à Jovem Pan.
