A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) marcou para o dia 30 de abril a eleição da nova composição de seu Conselho de Administração. O pleito ocorrerá durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas. Presidente do grupo desde o fim de fevereiro, o ex-secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa, é um dos indicados pelo governo mineiro, na condição de acionista controlador, a um dos assentos no colegiado.
A Copasa, vale lembrar, atravessa uma etapa decisiva de desestatização. A companhia realiza ajustes para apresentar ao mercado um edital prevendo oferta secundária de ações. Nesta terça-feira (31), em material encaminhado aos detentores de títulos da estatal, o Executivo estadual propôs que a nova estrutura do Conselho de Administração conte com oito integrantes e mandato de dois anos.
Além de Barbosa, o Palácio Tiradentes indicou a presidente da empresa, Marília Melo; a vice-presidente do colegiado, Márcia Fragoso Soares; Carlos Alexandre Jorge da Costa, sócio da Bid Capital; e Roberto Corrêa Barbuti, ex-CEO da Iguá Saneamento. Os dois últimos também buscam a recondução.
Os empregados da Copasa serão representados por José Alvim Pereira. Servidor da empresa, ele ocupa o posto desde 2024. Sua permanência, aprovada pelos trabalhadores no ano passado, será ratificada na votação deste mês.
Perfin indica candidato
Os Fundos Perfin, que em dezembro passado ampliaram para 12,31% a participação na Copasa, também indicaram um nome: José Formoso Martínez, atualmente na diretoria da Claro no Brasil. Ele já foi CEO da operadora telefônica e comandou a Embratel.
A oitava cadeira do grupo será preenchida posteriormente. Segundo informou a companhia ao mercado, Martínez, Barbuti e Costa são considerados conselheiros independentes.
Conselho Fiscal
A sessão do dia 30 também definirá os componentes do Conselho Fiscal (ajustado, pois o texto repetia ‘Administração’ aqui). O governo do estado apontou as candidaturas do secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti; do chefe de gabinete da Secretaria de Fazenda, Reges Moisés dos Santos; e do subsecretário de Planejamento e Orçamento, Felipe Magno Parreira de Sousa.
A intenção é que o suplente de Baccheretti seja o subsecretário de Liberdade Econômica, Marco Antônio Mendonça Gaspar. Os reservas de Reges e Parreira na chapa são, respectivamente, o secretário adjunto de Governo, Juliano Fisicaro Borges, e o engenheiro elétrico Cláudio Politi.
Os acionistas minoritários ainda não indicaram o titular e o suplente a que têm direito na instância fiscal.
Período de silêncio
Apesar da expectativa pela divulgação breve dos documentos relacionados à concorrência, a Copasa está, desde meados do mês passado, no chamado período de silêncio. Nesta fase, os envolvidos na operação ficam impedidos de tecer comentários públicos sobre o tema para evitar o vazamento de informações.
Como O Fator já mostrou, a prioridade do Palácio Tiradentes é firmar acordo com um investidor de referência, que compraria uma fatia relevante das ações. Nesse modelo, o estado ficaria com 5% do capital acionário — hoje, o poder público detém 50,03%.
O outro cenário previsto na modelagem aprovada pelos acionistas é considerado menos provável: ele admite a inexistência de um parceiro de referência e abre brecha para a venda total das ações do Executivo.
