Sem telões na área externa e cerimônia acelerada: Câmara tenta reduzir riscos em homenagem a Flávio Bolsonaro

Casa cancelou telões na área externa, orientou servidores ao home office e acelerou programação para reduzir riscos diante de atos
Flavio Bolsonaro com jornalistas
Flávio Bolsonaro será homenageado pela Câmara de Belo Horizonte em cerimônia cercada por reforço na segurança e expectativa de protestos. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) decidiu não instalar telões do lado de fora do edifício-sede para a cerimônia que concederá ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o título de cidadão honorário da capital mineira.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (2) e integra uma série de medidas adotadas pela Casa diante da expectativa de manifestações favoráveis e contrárias ao parlamentar.

A instalação dos telões chegou a ser considerada para permitir que apoiadores acompanhassem a solenidade sem acesso ao plenário. O plano, porém, foi abandonado por orientação da própria Câmara. Um servidor ligado ao setor responsável pela montagem da estrutura informou a O Fator que a equipe recebeu determinação para não realizar a instalação externa por questões de segurança.

A transmissão da cerimônia será mantida apenas no interior do prédio. Só será permitida a entrada de pessoas que constam na lista do vereador Vile (PL), autor da homenagem.

A Câmara costuma instalar telões em ocasiões muito específicas, como o Grande Colar, ou votações e audiências públicas de grande mobilização, para que haja o máximo de participação popular. Considerando que o acesso à Casa foi limitado aos convidados e à imprensa credenciada, a instalação tornou-se desnecessária.

A avaliação é de que a transmissão externa poderia atrair ainda mais pessoas para o entorno do prédio e ampliar o risco de tumultos em um cenário já marcado pela mobilização de grupos antagônicos.

A cautela também levou a Câmara a alterar a dinâmica do evento. Vereadores foram informados na segunda-feira (1º) de que a orientação é realizar uma cerimônia mais enxuta e rápida do que o inicialmente previsto. A intenção é reduzir ao máximo o tempo de permanência do público, convidados e autoridades no local.

O clima entre servidores e parlamentares é de preocupação. Parte dos funcionários recebeu orientação para trabalhar em home office ao longo do dia. A medida faz parte do plano de contingência montado pela Casa para diminuir a circulação de pessoas no prédio durante a realização da solenidade.

Também foram impostas restrições internas de funcionamento. Há limitações de acesso a determinadas áreas da Câmara, controle mais rígido de circulação nos corredores e mudanças na operação de serviços internos, incluindo restaurantes e espaços de convivência.

O objetivo é reduzir deslocamentos dentro do prédio e facilitar o trabalho das equipes de segurança.

Manifestações

Do lado de fora, a expectativa é de manifestações simultâneas. Movimentos sociais, coletivos e grupos contrários à homenagem convocaram protestos nas imediações da Câmara, enquanto apoiadores de Flávio Bolsonaro também organizaram presença por meio das redes sociais.

Diante desse cenário, a Casa reforçou seu esquema de segurança e mantém interlocução permanente com a Polícia Militar. O efetivo interno foi ampliado e a operação foi planejada para evitar confrontos e garantir o controle do acesso ao prédio.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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