Uma publicação da ex-deputada federal Áurea Carolina (Psol) ao lado de Marília Campos (PT) gerou desconforto no entorno da petista e reacendeu uma discussão que, segundo aliados da ex-prefeita de Contagem, sequer existe: uma dobradinha entre as duas na disputa ao Senado Federal. No post, Áurea compara uma união com Marília à tradicional combinação entre queijo e goiabada
Segundo apurou O Fator, a postagem foi mal recebida por integrantes do grupo político da petista, que viram na iniciativa mais uma tentativa de reforçar a existência de uma composição que não foi debatida até aqui.
Enquanto a pessolista tem defendido a composição e sinalizado a interlocutores que já procurou Marília para tratar do tema, o grupo da petista afirma que não há qualquer acordo em construção e que a prioridade segue sendo consolidar sua própria candidatura.
Nos bastidores, Áurea tem relatado a interlocutores que percebe resistência à proposta. A avaliação da ex-deputada é de que Marília prefere aguardar uma definição mais ampla do cenário político antes de discutir alianças e estaria mais inclinada a uma aliança com um candidato de perfil ao centro.
Apesar disso, Áurea sustenta reservadamente que continuará defendendo publicamente a dobradinha, que considera um caminho natural para a esquerda mineira. A leitura é compartilhada por parte da militância do Psol e por setores do PT, especialmente entre eleitoras que enxergam na eventual chapa o fortalecimento da representação feminina para a disputa ao Senado.
Marília prega cautela
Procurada, a equipe de Marília Campos afirmou, em nota, que “por respeito ao processo político e partidário que ainda está em construção, e às conversas que seguirão sendo realizadas com diferentes lideranças e forças políticas, o Partido dos Trabalhadores e a pré-candidata Marília Campos não trabalham, neste momento, com definições sobre eventuais composições eleitorais”.
A nota acrescenta que “qualquer decisão nesse sentido será tomada no momento adequado, a partir do diálogo, da construção coletiva e da avaliação do cenário político”.
Sob reservas, porém, aliados de Marília sustentam que a ex-prefeita precisará de interlocução para além do eleitorado tradicional da esquerda para construir uma candidatura competitiva. Por isso, o grupo tem evitado movimentos que possam restringir sua margem de articulação ou antecipar alianças antes da definição do cenário estadual.
O entendimento é de que uma candidatura ao Senado exige amplitude política e capacidade de diálogo com diferentes segmentos do eleitorado.
Nesse contexto, aliados defendem que Marília mantenha abertas diversas possibilidades de composição, sem se vincular antecipadamente a qualquer chapa formal.
Entre os nomes que aparecem no radar está o do deputado estadual Mário Henrique Caixa (PV), aliado de Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao governo e um dos principais parceiros políticos da petista na atual conjuntura.
Além disso, no interior do estado, Marília pode acabar encontrando pontos de convergência eleitoral com Marcelo Aro (PP). Apoiadores do ex-secretário de Estado de Governo, também pré-candidato a senador, pontuam que a principal estratégia dele é consolidar-se como opção de segundo voto tanto entre eleitores bolsonaristas quanto entre eleitores moderados ou independentes que veem com simpatia a candidatura de Marília, mas não necessariamente se identificam com a esquerda.
Assim, as duas candidaturas poderiam se complementar em determinadas regiões do estado.