Os três nomes cotados por Lula para o governo de MG e o prazo esperado por uma decisão, segundo ex-ministro

Walfrido dos Mares Guia acredita em definição breve do presidente da República sobre os caminhos do PT no estado
Walfrido dos Mares Guia e Lula
Walfrido dos Mares Guia acredita que Lula baterá o martelo ainda neste mês sobre a candidatura que apoiará em Minas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve definir “nos próximos 10 dias, no máximo” o nome que apoiará na disputa pelo governo de Minas Gerais, em um cenário ainda indefinido após a saída do senador Rodrigo Pacheco (PSB) da corrida e diante de impasses internos sobre candidatura própria ou aliança.

Em entrevista ao Blog do PCO no sábado (13), Walfrido disse que a escolha está concentrada em três nomes: Gabriel Azevedo (MDB), Jarbas Soares Júnior e Marília Campos (PT), embora a ex-prefeita de Contagem já tenha sinalizado que não pretende disputar o cargo. Ela mantém foco em uma pré-candidatura ao Senado Federal.

Segundo Walfrido, que atua como interlocutor de Lula nas articulações em Minas, o processo passou por um “afunilamento” após a análise de pesquisas eleitorais e conversas com possíveis candidatos. Ele afirmou que a decisão cabe exclusivamente ao presidente da República.

O ex-ministro relatou ter se reunido por cerca de seis horas com o pré-candidato do MDB, Gabriel Azevedo, em Ouro Preto, durante o evento Conexão Empresarial. Após o encontro, afirmou ter feito contatos com Lula, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Segundo ele, Gabriel é considerado um nome viável para compor o palanque do presidente no estado.

Ao apontar Jarbas Soares como uma das alternativas em análise, Walfrido destacou sua trajetória à frente do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e sua experiência administrativa. Sobre Marília Campos, afirmou que a definição depende da própria ex-prefeita.

A indefinição ocorre em meio a discussões internas do PT sobre lançar candidatura própria ou apoiar um nome de outra legenda. Como mostrou O Fator, o partido tem condicionado eventuais alianças, como com o MDB de Gabriel Azevedo, aos resultados de pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo de junho, que comparam o desempenho de diferentes alternativas.

No fim de maio, diante da decisão de Pacheco de não pleitear o Palácio Tiradentes, a direção estadual do PT emitiu aos filiados resolução em que diz “inadmissível que, em pleno maio de 2026”, a agremiação esteja “esperando por nomes externos” para encabeçar a aliança local de Lula. Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é uma das hipóteses aventadas para o caso de candidatura própria.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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