O mal-estar criado pela visita de Lula a Divinópolis

Condução da agenda presidencial por Gleide Andrade gera questionamentos e amplia disputa por protagonismo
Gleide e Lula
Tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade teve papel central na articulação da visita de Lula a Divinópolis. (Ricardo Stuckert /PT)

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Divinópolis (Centro-Oeste) para inaugurar o Hospital Regional abriu uma disputa por protagonismo em torno de uma das obras mais simbólicas da cidade. Lideranças que participaram da viabilização do projeto reclamam ainda não terem sido consultadas sobre a viabilidade de comparecer à cerimônia, articulada pela tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade.

Como mostrou O Fator, nem mesmo dirigentes do partido em Minas tinham conhecimento prévio da visita anunciada por Gleide. O episódio chamou atenção dentro da legenda e alimentou críticas, inclusive entre aliados, sobre a condução das articulações em torno do evento. A tesoureira anunciou o evento para a sexta-feira (19). No entanto, até a manhã desta segunda-feira (15), a agenda não constava na previsão de atividades de Lula para a semana. O material é periodicamente atualizado pelo Palácio do Planalto.

Entre os nomes que ainda não foram sondados a respeito da possibilidade de participar da inauguração, está o do ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos). Procurado por O Fator, ele confirmou que pretende participar da visita de Lula mesmo se não houver convite oficial. O ex-prefeito acompanhou parte das discussões sobre o futuro da unidade e participou de reuniões ao lado da própria Gleide Andrade durante as negociações envolvendo o hospital.

Outra ausência é a da deputada estadual Lohanna França (PV), autora do projeto que autorizou a transferência do imóvel para a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Aliados da parlamentar afirmam que ela não foi procurada pelo entorno de Gleide, apesar da atuação nas negociações que contribuíram para a concretização da unidade.

O deputado federal Domingos Sávio (PL), que também atuou na pauta ao longo dos anos, deve ficar de fora da cerimônia. Segundo interlocutores próximos ao parlamentar, não há previsão de participação dele na atividade. A avaliação é de que, na condição de pré-candidato ao Senado Federal por partido de oposição ao governo Lula, sua presença seria improvável.

O desconforto alcançou ainda vereadores do campo da esquerda em Divinópolis, que acompanharam as negociações ao longo dos últimos anos e esperavam participar da cerimônia. Segundo relatos colhidos por O Fator, parte das queixas envolve justamente a falta de diálogo da equipe da tesoureira com atores que participaram da construção do projeto. Integrantes do próprio grupo político de Gleide afirmam que também não tinham conhecimento prévio da agenda presidencial.

A disputa em torno da inauguração ganhou ainda mais repercussão após a divergência pública entre os irmãos Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Eduardo Azevedo (PL).

Enquanto o senador defendeu uma recepção institucional ao presidente da República, o deputado estadual criticou a visita e contestou tentativas de atribuir exclusivamente ao governo federal os méritos pela entrega da unidade.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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