Investidores estrangeiros ficaram com cerca de 40% da fatia da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) oferecida de forma fracionada pelo governo ao mercado. O percentual foi confirmado pelo governador Mateus Simões (PSD) nesta terça-feira (16), após a cerimônia ocorrida na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, para encerrar a oferta de privatização. Interlocutores a par do assunto corroboraram o índice citado por Simões.
Os 40% adquiridos por fontes internacionais estão dentro dos 15% negociados de forma pulverizada pelo Executivo. Outros 30% foram vendidos em bloco ao Grupo Equatorial, que se tornou sócio de referência da empresa.
Segundo Simões, o volume de alocação oriundo de outros países representa “ótimo sinal”.
“Os investidores estrangeiros são muito exigentes. Quem já está com dinheiro nacionalizado, acaba fazendo um investimento porque o dinheiro já está aqui. Quem traz o dinheiro de fora para fazer o investimento tem ainda uma análise mais dura sobre o ativo, o que mostra sua qualidade”, pontuou.
Depois da Equatorial, que atuará na Copasa por meio de uma subsidiária, a Gerais Saneamento, a segunda maior acionista será a Perfin. Os fundos da gestora, entretanto, fizeram alocação pequena por meio da privatização, garantiram fontes ouvidas por O Fator. Para chegar aos 20% informados ao mercado nessa segunda-feira (15), a aposta prioritária foi na compra de papéis já detidos pelo mercado.
Governo atrela manutenção de 5% a ‘estratégia financeira’
Antes da desestatização, o governo mineiro possuía aproximadamente 50% do capital. Com a negociação junto à Equatorial e a venda fracionada, o percentual foi reduzido a 5%. De acordo com Simões, a decisão de não disponibilizar um lote adicional e manter participação na empresa tem relação com o futuro.
“Temos certeza de que a ação vai continuar em uma sequência de alta. Então, não tem porquê se desfazer desses 5%. Mesmo que o estado resolva se desfazer desses 5% em algum momento, sempre manteremos a golden share (ação que dá direito a poder de veto em decisões estratégicas). É uma estratégia exclusivamente financeira neste momento”, explicou.
A operação entre o governo de Minas e a Equatorial rendeu R$ 5,59 bilhões. Os recursos devem entrar no caixa estadual ainda nesta semana. A lei da privatização obriga a injeção prioritária do montante em obras de infraestrutura que servirão de contrapartida à adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).