A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (18), dois mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão contra o empresário Alan Cavalcante do Nascimento e sua esposa, durante a segunda fase da Operação Rejeito. A ação, realizada com apoio do Gaeco do Ministério Público Federal, aprofunda a investigação “sobre uma organização criminosa suspeita de atuar para obstruir investigações, monitorar autoridades públicas e interferir no andamento de processos judiciais relacionados a esquemas de fraude em licenciamentos ambientais no setor de mineração”.
As ordens judiciais incluem ainda a suspensão das atividades de empresas ligadas ao grupo. As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Criminal da Justiça Federal em Belo Horizonte.
De acordo com a Polícia Federal, a nova fase da operação identificou que os alvos teriam contratado uma empresa para a prática de atividades de espionagem contra pessoas de interesse, incluindo autoridades públicas e particulares. As investigações apontam para ações sistemáticas de monitoramento, além da obtenção indevida de dados pessoais e sensíveis.
Também foram identificadas tentativas de aproximação com agentes públicos para fins ilícitos, bem como ofertas para acesso irregular a informações protegidas por sigilos bancário e telefônico. Há ainda indícios de uso indevido de sistemas restritos de órgãos de segurança pública.
A investigação também apontou a tentativa de contratação de operações policiais simuladas, como blitze, com o objetivo de atender interesses da organização.
A atual etapa é um desdobramento da primeira fase da Operação Rejeito, que teve como foco a atuação do grupo para embaraçar investigações e ações penais em curso. Entre as condutas identificadas à época estavam o monitoramento de autoridades e a adoção de estratégias para neutralizar decisões contrárias aos interesses do grupo.
Na fase anterior, a Polícia Federal apontou que Alan Cavalcante coordenava um sistema estruturado de acompanhamento de agentes públicos. Foram localizadas planilhas com informações detalhadas sobre juízes, procuradores e membros da sociedade civil, incluindo dados pessoais, funções e posicionamentos considerados relevantes para os interesses da organização.
As investigações também indicaram que o empresário adotou medidas para se aproximar de magistradas responsáveis por processos envolvendo suas atividades. Entre elas, a aquisição de imóveis nos mesmos edifícios ou condomínios onde essas autoridades residiam, em movimentos interpretados pela apuração como tentativa de estabelecer vínculos e influenciar o ambiente decisório.
Um dos casos envolve a compra de um apartamento, em 2023, no mesmo prédio onde vive uma juíza federal responsável por ação penal relacionada à Operação Poeira Vermelha, que também tem Alan como réu. Situação semelhante foi identificada em outro imóvel adquirido em condomínio onde reside magistrada com atuação em processos na região de interesse do grupo.
Ainda segundo a investigação, houve episódios de destruição de provas após a deflagração de operações anteriores, com eliminação de documentos e interrupção de sistemas de monitoramento interno.
A Operação Rejeito apura um esquema de fraudes em licenciamentos ambientais que envolve um conjunto de empresas ligadas ao setor de mineração. Segundo a Polícia Federal, o grupo estruturou uma rede empresarial para viabilizar projetos irregulares, com movimentação financeira relevante e atuação em diferentes municípios de Minas Gerais.
Os investigados poderão responder por crimes como embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilos bancário e telefônico.