A agência de classificação de risco Fitch revisou para baixo a perspectiva das notas de crédito, os ratings, de cinco subsidiárias do Grupo Equatorial, que comprou a fatia majoritária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Segundo a Fitch, a reavaliação decorre exatamente da operação que tornou a holding a sócia de referência da empresa mineira.
A análise da agência ficou pronta nessa quarta-feira (17). As notas, anteriormente em patamar estável, passaram para o nível negativo. Na lista das subsidiárias afetadas, estão, por exemplo, as distribuidoras energéticas do grupo em Goiás e Pará.
“A revisão da Perspectiva reflete a expectativa de aumento da alavancagem financeira do grupo após o anúncio de aquisição de 30% do capital da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa, AAA(bra)/Estável). Assumindo o fechamento da aquisição em 2026 por R$ 5,6 bilhões, majoritariamente financiados por dívida, a alavancagem líquida ajustada consolidada da Equatorial deve exceder ligeiramente o teto de rebaixamento, de 4,5 vezes, em 2026 e 2027”, justificou a Fitch.
Ao detalhar a posição, a agência mencionou a estratégia desenhada pela Equatorial para arcar com a operação. Como O Fator mostrou, a engrenagem é baseada em um financiamento-ponte de curto prazo, com troca futura desse passivo pelos chamados take-outs, de longo prazo.
Ao listar alternativas para liquidação, a Equatorial relaciona dívidas da companhia e lançamento de novas ações no mercado, além de dividendos pagos por Copasa, Sabesp e distribuidoras de energia.
“Caso a aquisição seja integralmente financiada por dívida, a projeção de alavancagem líquida ajustada atingiria 4,8 vezes em 2026 e 4,7 vezes em 2027”, vislumbrou a agência.
Quando anunciou a ideia do empréstimo de curto prazo, a Equatorial desejava captar R$ 7,5 bilhões em notas escriturais comerciais. O valor estava relacionado à intenção de adquirir mais 12,6% da Copasa na fase de venda fracionada no mercado. O objetivo, contudo, não saiu do papel.