A resposta de Marília Campos à pressão do PT por candidatura ao governo de Minas

Ex-prefeita de Contagem não pretende abrir mão de disputar assento no Senado Federal
A ex-prefeita Marília Campos
A ex-prefeita Marília Campos. Foto: Luci Sallum/PMC

Pré-candidata do PT ao Senado Federal, Marília Campos disse, nesta quinta-feira (25), que a decisão do partido de lançar candidatura própria ao governo de Minas Gerais representa um “equívoco estratégico”. Segundo ela, a ideia “pode fragilizar o campo democrático e popular” em solo estadual.

“As pesquisas mostram que o campo progressista ainda busca consolidar uma candidatura competitiva ao governo. Justamente por isso, o caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, Psol, PDT e outras forças que sustentam o governo federal. A eleição de Lula em 2022 demonstrou que os melhores resultados surgem do diálogo, da convergência e das frentes amplas”, afirmou, em texto encaminhado a O Fator.

Como a reportagem mostrou nessa quarta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos petistas que defende o nome de Marília como o mais viável para representar os petistas na disputa pelo Executivo estadual. Ele, que já vinha mencionando isso a aliados, voltou a fazer a ponderação durante reunião com correligionários mineiros em Brasília (DF).

 A ex-prefeita de Contagem, contudo, tem reafirmado que não possui tal intenção, desejando participar apenas da corrida à Câmara Alta do Congresso Nacional.

“Trata-se de uma pré-candidatura estratégica porque Minas não possui atualmente senadores da base do presidente Lula e porque representa um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários”, pontuou.

Disputa silenciosa

O impasse do PT sobre os rumos a serem tomados na sucessão estadual ganhou corpo em 29 de maio, quando o senador Rodrigo Pacheco (PSB) anunciou a decisão de deixar a vida pública ao fim do atual mandato parlamentar. No dia seguinte, a Executiva estadual da legenda de Lula aprovou resolução autorizando a abertura de debates sobre uma candidatura própria.

Ao fim da reunião na capital federal, a presidente do diretório mineiro do PT, a deputada estadual Leninha, afirmou que o encontro serviu para consolidar essa avaliação.

“O entendimento construído coletivamente reafirma uma resolução decidida há um mês de que o Partido dos Trabalhadores vai apresentar uma candidatura própria em Minas Gerais”, assinalou.

Opções externas

O leque de opções externas tem nomes como Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB, e Jarbas Soares Júnior, pré-candidato do PSB. O emedebista, que foi presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e concorreu a prefeito no ano retrasado, chegou a se reunir com Edinho Silva, presidente nacional petista, para debater a viabilidade de uma eventual aliança.

Marília é favorável ao diálogo com Gabriel, enquanto parte do PV, que forma uma federação com o PT, já fechou questão e pretende apoiá-lo independentemente da decisão da legenda aliada.

O PDT, mencionado por ela no rol de legendas do arco do governo Lula, tem a pré-candidatura de Alexandre Kalil. Na semana passada, entretanto, Edinho sinalizou que um acordo com o ex-prefeito de Belo Horizonte inviabilizaria a formação de uma coalizão com outros partidos da base federal.

Leia a íntegra do texto de Marília:

“A decisão de lançar candidatura própria ao Governo de Minas Gerais em 2026, reafirmada na nota divulgada pelo PT mineiro, merece reflexão. Embora legítima do ponto de vista partidário, ela representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado.

A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas. Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula.

As pesquisas mostram que o campo progressista ainda busca consolidar uma candidatura competitiva ao governo. Justamente por isso, o caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, REDE, PSOL, PDT e outras forças que sustentam o governo federal. A eleição de Lula em 2022 demonstrou que os melhores resultados surgem do diálogo, da convergência e das frentes amplas.

A pré-candidatura de Marília Campos ao Senado — construída coletivamente, aprovada pelas instâncias partidárias desde janeiro e respaldada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva — demonstra força política. Marília deixou a Prefeitura de Contagem, onde governava com ampla aprovação popular, para percorrer Minas, dialogar com prefeitos, vereadores, setor produtivo e movimentos sociais. Trata-se de uma pré-candidatura estratégica porque Minas não possui atualmente senadores da base do presidente Lula e porque representa um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários. Essa é a única disponibilidade política colocada por Marília para a disputa de 2026 e o palanque petista capaz de contribuir para a reeleição do presidente Lula no estado.

A equipe da pré-candidatura reafirma a convicção de que Minas Gerais precisa construir uma ampla aliança democrática para a disputa do Governo do Estado, reunindo os partidos que sustentam o governo Lula e priorizando aquilo que une as forças progressistas e democráticas. Mais do que projetos individuais, o momento exige responsabilidade política, diálogo e compromisso com uma alternativa viável para Minas Gerais.”

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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