Respeito profundamente o ser humano e suas características individuais, desde que, claro, de boa índole, boa-fé e boa vontade. Textos meus – há quase uma década – e palavras minhas – há mais de quatro anos – não me deixam mentir. Porém, respeitar não significa concordar, aquiescer e apoiar. Para mim, cada macaco no seu galho; cada um no seu quadrado.
Infelizmente, no Brasil – e, obviamente, não só em Banânia -, a política aceita tudo e todos. Justamente onde a porta deveria ser estreita, já que o palco responsável pela vida de bilhões de pessoas, é larga e acolhedora. O que pode ser interpretado como símbolo máximo de democracia é, a meu ver, o oposto. A política tornou-se profissão e o caminho mais curto para projetos pessoais.
O Poder Executivo, e vou me restringir ao Brasil, ou melhor, a Minas Gerais, para não me alargar em demasia, hoje é tratado como um puxadinho do quintal do sítio do fim de semana. Lá entram amigos, parentes, puxa-sacos e toda sorte de financiadores, pouco importa de onde venha o butim. Os mais espertos – e isso não é necessariamente positivo – cooptam e manipulam idiotas úteis.
Cleitinho Azevedo
Sim. Cleitinho Azevedo é um idiota útil nas mãos dos tubarões nacionais. Mas não se apiedem do animador de auditório alçado a – meu Deus! – senador. Porque ele mesmo é um manipulador e atua única e exclusivamente em seu favor e de sua família. Nada diferente, eu sei, de tantos outros Brasil afora. O que o diferencia um pouco, contudo, é uma característica também comum atualmente.
Cleitinho posta-se e é enxergado como alguém, digamos, divino. Um sujeito “do povo e para o povo”, em nome de Deus. Pátria e Família? Não. Aí é com o Nikolas – mais um da safra messiânica, cujo pai é a “alma mais honesta desse país”, o filho é o “mito” e o Espírito Santo são os “zilhões” de crédulos que neles confiam e neles depositam a fé e a esperança de dias melhores.
Aliás, eis uma das vantagens do messianismo eleitoreiro. Programa de governo dá trabalho. É preciso números, metas, dinheiro. Fé não. Fé dispensa tudo. Por isso os partidos perderam importância. O eleitor não quer saber o que o candidato pretende fazer com saúde, educação, segurança e saneamento. Precisa apenas acreditar que “ele é um dos nossos”. Ou um enviado de Deus.
Líderes religiosos
É por isso que estes embusteiros sobrevivem facilmente às próprias contradições. Se mudam de partido, discurso, aliado ou opinião, pouco importa. E coitado de quem criticar o líder. Para grande parte dos fieis – porque eleitores não são -, é uma ofensa a eles próprios. Principalmente porque ninguém gosta de admitir que depositou fé e voto no candidato errado. Popularmente falando, é a “síndrome do corno”.
Pior é que o político messiânico precisa dos problemas reais que promete combater. E resolver determinados dramas significaria perder parte do discurso. Por isso, o inimigo imaginário também é indispensável. Pode ser o sistema, o STF, a imprensa, os ricos, os pobres, os empresários, os comunistas, os fascistas, o mercado ou qualquer demônio disponível na prateleira do exorcismo eleitoral.
O importante é que exista alguém impedindo o salvador de entregar o paraíso. Lula, Bolsonaro, Cleitinho e companhia sabem que não precisam propor nada nem entregar nada. Basta prometer mais, se vitimizar mais, invocar o etéreo e deixar que a fraqueza humana se incumba do resto. Assim, a falta de saneamento, educação, saúde etc. jamais será lembrada e sempre esquecida. Amém.