A aproximação de Kalil pelo que é, no mínimo, suspeito

Carlos Mosconi, seu vice, foi denunciado por supostas irregularidades em contratos da Saúde de Poços de Caldas
Foto: Divulgação

O ex-prefeito de BH Alexandre Kalil, recentemente, em vídeo direcionado ao senador Cleitinho Azevedo, atacando e ameaçando o candidato rival ao Palácio Tiradentes, afirmou, em alto e bom som: “Tenho 67 anos e não tenho processo”.

Bem, que políticos mentem, todos sabemos. Que políticos prometem o que nunca vão entregar, idem. Que políticos deturpam fatos e manipulam informações, também. Mas há que se ter um mínimo de pudor na hora de desinformar.

Uma rápida busca pelos sistemas de processos eletrônicos do Judiciário mostra que Alexandre Kalil responde, sim, a inúmeras ações em curso. E nem vou falar de tantas outras, inclusive criminais, já encerradas, arquivadas ou prescritas.

Pingos nos Is

Recentemente, O Fator noticiou algumas. Kalil continua réu em uma ação de improbidade que apura a contratação, com dinheiro público, de uma pesquisa eleitoral que teria beneficiado sua candidatura ao governo de Minas em 2022.

O Ministério Público pediu sua condenação, além do ressarcimento de R$ 103,5 milhões. Em outro processo, é acusado e já foi condenado, em primeira instância, por nepotismo durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte.

Figurinha carimbada nos “departamentos de cobrança” – públicos e privados – Brasil afora, Kalil é alvo, também, de uma nova execução fiscal da Prefeitura de Belo Horizonte, para a cobrança de R$ 20,4 mil em dívidas de IPTU.

A lista continua

Em outro caso, a Justiça autorizou a PBH a cobrar pessoalmente do ex-prefeito uma dívida de R$ 659,3 mil de ISSQN da Erkal Engenharia, empresa da família, depois de reconhecer a dissolução irregular da sociedade.

E o sujeito parece mesmo gostar de uma notícia judicial por perto. Escolheu como parceiro de chapa Carlos Mosconi, ex-deputado federal e estadual, médico e uma figura política historicamente ligada ao sistema de transplantes de Minas Gerais.

Mosconi – assim como ocorreu com Kalil na CMBH – já frequentou as páginas de uma CPI por causa do chamado Caso Pavesi, uma das mais graves denúncias envolvendo transplantes de órgãos já conhecidas e investigadas no país.

Entenda o ocorrido

Em 2004, Paulo Airton Pavesi, pai do menino Paulo Veronesi Pavesi, morto em Poços de Caldas, denunciou à CPI do Tráfico de Órgãos da Câmara dos Deputados uma série de irregularidades na retirada e no transplante dos órgãos do filho.

Pavesi acusou Mosconi de envolvimento político no caso e de atuar em defesa dos médicos investigados. A CPI aprovou requerimentos relacionados à oitiva do então ex-deputado. Ao final, Carlos Mosconi não foi indiciado.

Há um ditado que diz: “Um gambá cheira o outro”. Não deve ter sido criado à toa. Conforme publicado em O Fator, na segunda-feira (14), Mosconi foi denunciado pelo MPMG por supostas irregularidades em contratos da Saúde de Poços de Caldas.

E haja confusão

A ação envolve um contrato de aproximadamente R$ 8 milhões e, segundo o Ministério Público, pagamentos que teriam sido autorizados sem a devida comprovação da prestação dos serviços. Leia a matéria completa aqui.

O MPMG pede a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos valores que considera pagos irregularmente. Por ora, como deixa muito bem claro a reportagem, trata-se de uma denúncia e não há qualquer condenação criminal.

Tudo isso não faz de Kalil ou de Mosconi culpados antes que a Justiça assim decida. Mas ajuda a entender uma curiosa coincidência com o ex-prefeito de BH: quando há algo, ou alguém, no mínimo suspeito, não raro ele está por perto. 

Ricardo Kertzman é empresário, e há 8 anos milita no jornalismo profissional. Tem passagens pelo jornal Estado de Minas e Portal UAI, com a coluna Opinião Sem Medo; pela revista e site da IstoÉ; pela Rede 98 e a Rádio Itatiaia, como comentarista do Conversa de Redação. Escreve para a revista Encontro e o portal O Antagonista.

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