O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Minas Gerais na próxima sexta-feira (2), a dois dias do 1° turno, com duas cobranças aos candidatos petistas. Segundo apurou O Fator, Lula pedirá a Patrus Ananias, que concorre ao governo mineiro, mais presença nas ruas em eventual 2º turno.
Ele também cobrará de Marília Campos, candidata ao Senado, maior alinhamento com o projeto petista na segunda fase — caciques do partido avaliam que a ex-prefeita de Contagem esteve um pouco distante da linha adotada por Lula no 1º turno.
Caso Patrus chegue ao 2º turno, a expectativa é que intensifique a campanha de rua, com corpo a corpo, panfletagem e mobilização direta, para ampliar o engajamento da base e impulsionar a candidatura presidencial. A leitura é que Lula precisa estar no centro da mobilização, sobretudo entre jovens e eleitores com voto facultativo.
Patrus é peça central. Lula precisa que ele avance na disputa para manter um palanque competitivo e utilizar a estrutura na campanha presidencial. As pesquisas mantêm o alerta aceso. Na AtlasIntel/Estadão, Cleitinho Azevedo (Republicanos) tem 39,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Patrus. Na simulação de segundo turno, o senador aparece com 53,1%, contra 41,1%.
No caso de Marília, a preocupação é outra. Além do receio de que a associação com Aécio Neves, por meio do “Marécio”, prejudique sua candidatura, Lula quer que a petista assuma de forma clara o projeto do PT no 2º turno. Aliados avaliam que Marília adotou pautas mais ao centro, gerando ruídos com o projeto presidencial.
Lula já havia demonstrado incômodo e, segundo apurou O Fator, a “dobradinha informal” motivará nova conversa durante a viagem a Minas.
Caso seja eleita, Marília será uma liderança petista à disposição de Lula para dar palanque e mobilizar votos no segundo turno.
Falta de engajamento
No 1º turno, Lula cobrou mais empenho dos aliados mineiros na eleição presidencial. Entre candidatos à Câmara e à Assembleia, a avaliação é que faltou uma campanha mais ativa em favor do presidente.
A reclamação é que a campanha presidencial não pode depender apenas das viagens de Lula. A expectativa do PT é que, no segundo turno, com a disputa proporcional encerrada, os candidatos eleitos se dediquem ao corpo a corpo em favor do presidente, mobilizando bases e estruturas para puxar votos para a eleição nacional.