Noronha: Judiciário vive ‘crise de imagem’ e tem de encontrar saídas para problemas que ‘causam indignação na população’

A O Fator, ministro do STF defendeu a investigação de denúncias contra magistrados e relembrou fala sobre ‘venda de prestígio’
O ministro João Otávio de Noronha, do STJ
O ministro João Otávio de Noronha, do STJ. Foto: Reprodução

O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), diz que o Judiciário brasileiro enfrenta uma “crise de imagem”. Em entrevista a O Fator nesta sexta-feira (6), ele defendeu que magistrados no centro de denúncias de irregularidades sejam investigados.

“Inegavelmente, o Judiciário vive uma crise de imagem. Ele vai ter que repensar, achar saídas para problemas que estão aí, não mais latentes, mas visíveis, e que causam uma certa indignação na população”, analisou, durante a 19ª Conferência Mineira da Advocacia, que a OAB-MG promove em Poços de Caldas, no Sul do estado

Ex-presidente do STJ, Noronha disse que, “sem nenhuma exceção”, todos os juízes citados em denúncias precisam ser investigados 

“O juiz é um cidadão e tem que se pautar e responder pelos seus atos. O que a gente está vendo aí é uma onda de denúncias muito grave, muito séria, e Deus queira que todos sejam investigados”, argumentou.

Em abril, durante uma sessão da 4ª Turma do STJ, Noronha criticou tentativas de influência sobre decisões. Ele fez a ponderação durante a análise de um recurso da montadora Hyundai contra uma decisão que condenou a multinacional a reparar financeiramente uma empresa brasileira pela interrupção de um contrato de importação.

Durante o pronunciamento, Noronha relatou ter recebido 10 pedidos de audiência quando, na verdade, já havia advogado constituído para o caso. Ao relembrar o caso a pedido de O Fator, ele condenou o que chamou de “venda de prestígio”.

“Pude perceber que, ali, havia uma venda de prestígio. E venda de prestígio que se traduz na venda do próprio ministro sem que ele saiba. É uma deslealdade, uma interferência — uma falsa interferência,  porque não interfere em nada;  só julgamos conforme está no processo. Mas isso não pode. Isso é um desrespeito com a jurisdição”.

Pedido por ponderação

Durante a Conferência da OAB-MG, a reportagem também conversou com o ministro Rogério Schietti Cruz, colega de Noronha no STJ. O ministro defendeu que a Justiça atue para frear as consequências da polarização enfrentada mundo afora. 

“Vivemos, não só no Brasil, um período de muitos antagonismos, intolerâncias, posições radicais e fundamentalismos de toda ordem. Talvez exatamente por isso, o poder Judiciário — e na época do Império era visto como papel moderador — deve ter um papel de equilíbrio, serenidade e imparcialidade”, cobrou.

O Fator na Conferência Mineira da Advocacia

Entre esta quinta-feira (5) e esta sexta-feira (6), O Fator publica, em seu site, uma série de matérias relacionadas à Conferência Mineira da Advocacia. O veículo instalou um estúdio no centro de convenções que abriga o evento e fará entrevistas com autoridades do mundo jurídico. As conversas podem ser vistas na íntegra no YouTube.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

Jornalista, professora e assessora. Mestre em Interações Midiáticas e especialista em História e Culturas Políticas, Direitos Humanos e Cidadania Global. Foi apresentadora do Bom Dia Minas, na TV Globo, e do Jornal Band Minas. Como jornalista investigativa independente, publicou reportagens em veículos como Folha de S.Paulo, National Geographic, CartaCapital, Agência Pública e UOL.

Noronha: Judiciário vive ‘crise de imagem’ e tem de encontrar saídas para problemas que ‘causam indignação na população’

Leia também:

Noronha: Judiciário vive ‘crise de imagem’ e tem de encontrar saídas para problemas que ‘causam indignação na população’

MP acusa consórcio do transporte suplementar de BH de pagar R$ 896 mil por consultoria sem serviço prestado

STF: Chalfun defende código de conduta com regras contra conflitos de interesse e fixação de mandatos

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse