Em oito anos, Zema encaminhou quase 200 propostas de lei à Assembleia

Governador de MG, que deixa o cargo no domingo (22), teve altos e baixos na relação com o Legislativo, mas encerra com maioria
Zema, durante a cerimônia de posse para o segundo mandato, em 2023.
Empossado em 2019, Zema foi reconduzido ao cargo em 2023. Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG

Governador de Minas Gerais desde janeiro de 2019 e prestes a renunciar ao cargo, Romeu Zema (Novo) enviou 188 proposições de lei à Assembleia Legislativa (ALMG) em quase oito anos de mandato. Segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado de Governo (Segov) a partir de pedido de O Fator, 144 dos textos encaminhados aos deputados estaduais foram transformados em normas jurídicas. 

A conversão representa cerca de 76% do total de matérias remetidas ao Parlamento. 

Até essa terça-feira (17), o último projeto de iniciativa do governador enviado à Assembleia havia sido o que reivindica a instituição de um fundo voltado à recuperação econômica e sustentável da Bacia do Rio Doce, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.

A primeira grande proposta de Zema endereçada à Assembleia chegou ao plenário da Casa em 6 de fevereiro de 2019, cinco dias após a posse dos parlamentares da legislatura passada. O texto, aprovado em uma sessão que se estendeu até os últimos minutos da noite de 30 de abril daquele ano, diminuiu, de 21 para 12, o número de secretarias de Estado — quantia que subiu para 14 em 2023, após uma segunda reforma na estrutura da Cidade Administrativa.

Zema deixará o Executivo estadual no domingo (22), para cumprir a desincompatibilização exigida pela Justiça Eleitoral a pré-candidatos à Presidência da República. No que tange ao funcionalismo público, tema indireto da reforma de 2019, o último projeto de recomposição dos salários foi encaminhado na semana passada, com índice de 5,4%.

Vinte e cinco projetos em último ano ‘cheio’

Apenas em 2025, último ano completo de Zema à frente do Palácio Tiradentes, a Assembleia aprovou 25 projetos de lei assinados pelo governador. Ainda houve aval a um projeto de lei complementar (PLC) e a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). 

“O ano de 2025 foi de grande atividade legislativa do Poder Executivo, com volume elevado de proposições convertidas em norma, reforçando o ritmo de tramitação e a priorização de agendas estratégicas junto à Assembleia Legislativa, especialmente o compromisso do executivo com o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag)”, explicou a Segov.

Citado pela pasta, o Propag deu forma a um pacote com 14 proposições, encaminhadas em maio do ano passado. Dez matérias ligadas ao arcabouço — incluindo o texto-base, que autorizava a adesão — já estão aprovadas. 

Textos correlatos, como o que deu sinal verde à privatização da Companhia de Saneamento (Copasa), vinculando os recursos da transação ao cumprimento de investimentos exigidos pelo refinanciamento da dívida com a União, também receberam aval

Ainda há três textos do Propag pendentes de votação final em plenário. Outro, sobre a federalização da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), acabou retirado de pauta no início deste mês. A fila de espera tem, por exemplo, a proposta sobre a transferência, ao governo federal, de uma série de imóveis do patrimônio da gestão estadual.

Da relação acidentada à estabilidade

A relação de Zema com a Assembleia sofreu mutações ao longo destes oito anos. O início foi acidentado. A base governista era pequena, com cerca de 25 parlamentares, e os rumos da Casa eram ditados por duas grandes coalizões formadas por deputados de orientação independente em relação ao Executivo. Prova disso é que, até março de 2020, três secretários haviam passado pela pasta de Governo, responsável por liderar as articulações junto ao Legislativo.

O primeiro ocupante da Segov foi Custódio Mattos, ligado ao PSDB e ex-prefeito de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Custódio deixou o cargo em 2019, em meio a protestos de parte dos tucanos, então componentes do núcleo aliado de Zema. O substituto foi o então deputado federal Bilac Pinto, à época no DEM (partido que deu origem ao União Brasil).

Bilac, contudo, pediu demissão após Zema recuar de um acordo anterior e vetar uma recomposição escalonada de cerca de 41% aos servidores da segurança pública. Paralelamente, houve desgastes na relação com o então presidente da Casa, Agostinho Patrus.

Um dos episódios que ilustra a relação conflituosa aconteceu em abril de 2021, quando parlamentares costuraram um projeto para repassar R$ 600 a famílias em situação de vulnerabilidade social no contexto da pandemia de Covid-19. Um dia antes de a Assembleia aprovar em 2° turno o texto, que tinha Agostinho como primeiro signatário, Zema anunciou a sanção à medida, fazendo com que deputados se queixassem de uma tentativa do governador de tomar para si a paternidade da ação.

A despeito de episódios como o do auxílio financeiro, já sob a gestão de Igor Eto, que assumiu a Segov na vaga de Bilac, a relação com a Assembleia acabou sendo gradualmente distensionada. Depois dele, passaram pelo cargo Gustavo Valadares (PSD), entre 2023 e o início do ano passado, e Marcelo Aro (PP), que também se desincompatibilizará em breve por causa da pré-candidatura ao Senado Federal. 

Gradativamente, o Executivo conseguiu construir maioria na Casa. Zema encerra o mandato com o apoio de parlamentares de dois dos blocos da Assembleia. O projeto de privatização da Copasa, por exemplo, foi aprovado em 2° turno com 53 votos favoráveis.

O discurso final

O trânsito de Zema com o atual presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), também é considerado positivo pelo governador, que costuma elogiar o chefe do Legislativo.

“Fico satisfeito em ver que substituímos uma relação anteriormente complexa e de embate por uma muito mais construtiva no meu segundo mandato, graças à condução do deputado Tadeu Leite”, disse, em 2 de fevereiro deste ano, na última vez que discursou durante uma sessão plenária da Assembleia.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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