Reza o dito popular que, “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Há muito tempo Minas Gerais não assistia a uma disputa pelo Palácio Tiradentes tão aberta. A pouco mais de um ano da eleição, nem mesmo o quadro completo de candidaturas está definido.
Com as pré-candidaturas já anunciadas de Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD), somadas à decisão de Rodrigo Pacheco de não disputar o governo estadual, o cenário passa a girar em torno de outros nomes que ainda avaliam seus movimentos, como Flávio Roscoe (PL), Alexandre Kalil (PDT) e Jarbas Soares (PSB).
Cleitinho Azevedo (Republicanos), por sua vez, continua alimentando a dúvida se pretende disputar o governo em outubro do ano que vem ou se mantém-se na confortável posição de político tiktoker, atirando pedras sem jamais propor soluções.
Aos fatos
Sem qualquer demérito aos demais possíveis concorrentes, é difícil negar que, neste momento, a candidatura mais robusta é a do atual governador Mateus Simões.
Além de ser o nome de um dos maiores partidos do país (PSD) e contar com o apoio do ex-governador Romeu Zema, Simões possui aquilo que, na política, costuma fazer diferença: a caneta na mão.
As pesquisas mais recentes apontam crescimento consistente em suas intenções de voto. Ao mesmo tempo, ele figura entre os candidatos menos rejeitados e ainda relativamente pouco conhecidos pelo eleitorado. Em outras palavras, existe espaço considerável para crescimento.
Na estrada
Também pesa a seu favor o fato de que a campanha eleitoral tende a mudar de patamar quando começam as propagandas de rádio e televisão. Simões conta em sua equipe com Paulo Vasconcelos, profissional reconhecido no marketing político como especialista em comunicação de massa, e um dos responsáveis pela campanha vitoriosa do saudoso Fuad Noman à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024.
Nos bastidores, inclusive, muitos enxergam semelhanças entre o momento atual de Simões e a trajetória de Fuad naquela eleição. O então prefeito aparecia com desempenho modesto nas pesquisas até o início do horário eleitoral gratuito. A partir dali, cresceu rapidamente, chegou ao segundo turno contra Bruno Engler (PL) e acabou eleito.
Simões, atualmente, segue o chamado “mandato itinerante”. A proposta é passar os primeiros 100 dias de governo percorrendo o interior do estado, transferindo simbolicamente a capital administrativa para diferentes municípios. A partir de julho, deverá ter um diagnóstico mais preciso sobre o alcance das ações do governo e sobre seu próprio nível de conhecimento junto ao eleitorado mineiro.
Reta final
Até lá, muitas peças ainda estarão em movimento. Mas, com entregas realizadas e outras tantas previstas, alianças formalizadas, estrutura partidária consolidada e a máquina estadual funcionando a seu favor, Simões tende a se diferenciar dos demais concorrentes, que hoje apresentam menor capilaridade política e menor reconhecimento popular.
Em um cenário sem candidatos claramente dominantes, a pulverização costuma favorecer quem já larga em posição mais competitiva. E, neste momento, entre os nomes colocados, Mateus Simões parece reunir as condições mais favoráveis para ocupar esse espaço, o que, obviamente, não significa “favas contadas”.
Em síntese, a única coisa certa nas eleições de outubro para o governo de Minas é que – parafraseando e contrariando um outro dito popular – entre mortos e feridos, apenas um irá se salvar.