Como foi a reunião entre Gabriel Azevedo e os presidentes nacionais de PT e MDB

Gabriel saiu da reunião com as portas abertas. O PT, por sua vez, manteve que ainda trabalha para ter candidatura própria
Edinho, Gabriel, Baleia
Gabriel Azevedo se reuniu com Edinho Silva em Brasília. Após o encontro, dirigentes do PT e do MDB participaram de uma conversa conjunta por telefone. (Divulgação)

A reunião entre o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, terminou com um telefonema em cadeia envolvendo os comandos dos dois partidos no estado. O gesto político, porém, não alterou a posição dos petistas. Segundo correligionários de Edinho ouvidos por O Fator, a prioridade de momento da legenda continua sendo a construção de uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes.

Coube a Edinho telefonar para a presidente do PT em Minas Gerais, a deputada estadual Leninha. Ao mesmo tempo, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, que também participou da reunião, ligou para o presidente emedebista em território mineiro, o deputado federal Newton Cardoso Júnior. Em seguida, os quatro participaram de uma chamada conjunta.

Ainda conforme soube a reportagem, a reunião quase foi cancelada por causa da foto em que o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) aparece ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar é o nome preferido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência da República, para pleitear o Executivo estadual, mas ainda não bateu o martelo sobre o tema.

Gabriel dedicou boa parte da conversa com Edinho à apresentação do projeto que vem construindo para o estado. O emedebista expôs propostas, prioridades de gestão e avaliações sobre o cenário político mineiro. A ideia foi dissipar dúvidas do PT quanto a eventuais incompatibilidades programáticas.

O encontro também avançou para o debate sobre a sucessão estadual. Foram discutidos nomes que circulam no PT e em campos políticos próximos à legenda para a disputa pelo governo.

PT põe pé no freio

A ideia de uma candidatura própria do PT ao governo mineiro ganhou corpo no fim de maio, mas só se tornou oficial no sábado (30), um dia após o senador Rodrigo Pacheco, do PSB, tornar pública a decisão de não concorrer ao cargo de governador. Pacheco era o plano A do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para encabeçar o palanque em Minas. Diante da recusa dele, a direção estadual do partido expediu resolução em que define “abrir imediatamente” o leque de eventual candidatura nativa.

No texto, a cúpula do PT diz ser “inadmissível que, em pleno maio de 2026”, a agremiação esteja “esperando por nomes externos” para encabeçar a aliança local de Lula.

A disposição oficial de candidatura própria é o que, neste momento, impede os petistas de avançarem por um acordo com atores externos. O entendimento é que ainda há tempo para avaliar cenários, acompanhar pesquisas e medir a viabilidade dos projetos em discussão.

Também houve sinalização para manter o diálogo aberto entre os grupos, sem que isso represente, neste momento, qualquer compromisso político ou eleitoral.

A leitura predominante no PT é que a conversa serviu para ampliar a interlocução, mas que as definições seguirão condicionadas à evolução do cenário político nos próximos meses.

Como O Fator mostrou, o nome de Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ganhou força para representar a sigla de Lula em um cenário com candidatura própria. Ela despontou a partir das recusas de Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, e do deputado federal Reginaldo Lopes.

Relação com Kalil e Marília

Outro tema abordado foi a relação entre Edinho e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, que deseja concorrer ao governo pelo PDT. O presidente nacional do PT teria citado Kalil como uma possibilidade de composição, mas ponderado que o ex-prefeito não demonstrou disposição para transformar uma eventual candidatura em uma aliança com os petistas.

A conversa também passou pelas disputas internas do PT mineiro. Embora Gabriel mantenha diálogo com diferentes setores da legenda, sua principal defensora é exatamente Marília. A aproximação entre os dois está em estágio avançado.

Aliados de Marília defendem que seu projeto político está concentrado na disputa ao Senado e resistem à possibilidade de uma candidatura ao governo. Integrantes desse grupo avaliam que há pressão interna para retirá-la da corrida senatorial e apontam Reginaldo Lopes como beneficiário de um eventual rearranjo, leitura que não é compartilhada pelo entorno do parlamentar.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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