Entidade pede ao STJ acesso a conteúdo de delação de ex-CEO da Aegea

Hamilton Amadeo confessou o pagamento de propinas a agentes públicos durante período à frente da companhia privada de saneamento
O ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo
O ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo. Foto: Museu do Amanhã/YouTube

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, nesta semana, pedido para a quebra do sigilo da delação premiada feita por Hamilton Amadeo, ex-CEO da Aegea, empresa do setor de saneamento. 

No material, Amadeo confessa o pagamento de propina a agentes públicos para favorecer contratos da empresa privada. Por causa da confissão, ele deixou a presidência do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A delação não tem relação com o período dele na Copasa.

A petição solicitando a disponibilização da íntegra do acordo de delação de Amadeo foi protocolada pelo Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), formado por sindicatos e entidades ligadas ao setor hídrico. O grupo também pede acesso ao acordo de leniência firmado pela Aegea junto ao Ministério Público Federal (MPF) em 2021.

O executivo disse à Justiça que os repasses a políticos foram feitos a partir de 2012. A verba encaminhada para destravar os contratos da empresa privada acabava sendo utilizada para pagar dívidas de campanhas eleitorais.

Segundo o Ondas, o acesso aos acordos “fundamenta a aferição da idoneidade da Aegea para participar de novos processos licitatórios, em especial a iminente privatização da Copasa”.

Ainda de acordo com o observatório, o exame dos documentos permite “identificar quais contratos de concessão foram potencialmente contaminados por ilícitos” e “viabiliza o acionamento dos órgãos de controle e do Ministério Público para adoção das medidas cabíveis antes da eventual prescrição dos crimes narrados”.

A delação de Amadeo

Segundo documentos citados em reportagem publicada pelo UOL no início do mês passado, Amadeo relatou ter autorizado o envio de R$ 8 milhões a Wilson Carlos, que era secretário do governo de Sérgio Cabral no estado do Rio de Janeiro. 

O pagamento teria sido condição para a assinatura de um aditivo contratual da concessionária Prolagos, pertencente à Aegea. Ele também detalhou pagamentos em Mato Grosso do Sul, incluindo R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha de Gilmar Olarte, ex-prefeito de Campo Grande, e R$ 4 milhões destinados à campanha de Alcides Bernal, que também administrou a cidade.

Amadeo afirmou ainda ter se reunido em junho de 2015 com o então governador sul-matogrossense, Reinaldo Azambuja, em Campo Grande, para acertar pessoalmente R$ 2 milhões em despesas eleitorais. O executivo disse ter fornecido aos procuradores detalhes logísticos da viagem e o prefixo da aeronave usada para comprovar o encontro.

À época da publicação da reportagem, a Aegea disse ter promovido “revisão ampla e estruturante de seus mecanismos de governança corporativa e controles internos, incluindo a renovação integral de sua administração à época dos fatos”.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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