Municípios mineradores pedem que ANM considere riscos do El Niño para barragens e pilhas

Amig destaca que fenômeno climático pode alterar média histórica de chuvas considerada por mineradoras
Barragem Auxiliar do Vigia, da CSN, que fica no Complexo do Pires, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais
Barragem Auxiliar do Vigia, da CSN, que fica no Complexo do Pires, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. (Foto: MPMG/Divulgação)

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig) enviou à Agência Nacional de Mineração (ANM) um ofício pedindo para que o órgão revise as ações de fiscalização de pilhas e barragens diante dos riscos gerados a partir do El Niño, fenômeno climático que deve alterar o fluxo e a intensidade de chuvas em algumas regiões do país, inclusive Minas Gerais.

No documento, encaminhado na quinta-feira (27), a Amig afirma que parte relevante da infraestrutura de mineração existente no país conta com sistemas hidráulicos e regulatórios criados a partir de séries históricas de precipitação. Assim, em um cenário em que as chuvas são mais intensas que a média histórica, essas estruturas minerárias poderiam estar em risco.

Para isso, a associação pede para que a ANM verifique se os parâmetros utilizados no monitoramento das barragens e pilhas “permanecem representativos das condições contemporâneas e suficientemente conservadores diante da possibilidade de alteração da frequência, intensidade e distribuição temporal dos eventos extremos”.

A Amig pontua que precipitações intensas podem gerar aumento da infiltração e saturação dos materiais; elevação de poropressões; redução da resistência ao cisalhamento; erosão superficial e interna; aumento extraordinário das vazões afluentes; comprometimento ou sobrecarga dos sistemas de drenagem; redução de borda livre; extravasamentos; e instabilização localizada de taludes.

Por fim, a associação pede para que a agência estabeleça protocolos pelos quais alertas meteorológicos severos possam funcionar como gatilhos para a intensificação das inspeções pelas mineradoras, incluindo parâmetros relacionados a níveis d’água, drenagem, vazões, poropressões, deformações, surgências e erosões.

“Entre a previsão e a tragédia existe um intervalo chamado decisão. Neste momento, esse intervalo ainda está aberto”, diz o ofício.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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