Câmara dá prazo para deputado mineiro condenado à perda do mandato se manifestar; PT pressiona por suplente

TSE decidiu que Glaycon Franco cometeu infidelidade partidária ao trocar sem justa causa o PV, federado aos petistas, pelo PSDB
O deputado Glaycon Franco
O deputado federal Glaycon Franco. Foto: Luiz Santana/ALMG

A Câmara dos Deputados deu cinco dias úteis para Glaycon Franco (PSDB-MG) se manifestar a respeito da decisão judicial que determinou a perda do mandato dele por infidelidade partidária. O prazo começou a contar nesta sexta-feira (28), com a publicação do despacho no Diário Oficial da União (DOU).

Franco concorreu ao Legislativo Federal pelo PV em 2022, mas se mudou para o PSDB em março deste ano. A antiga legenda do parlamentar, que forma uma federação com PT e PCdoB, foi à Justiça Eleitoral afirmando que a saída aconteceu sem justificativa, o que caracterizaria o cometimento de infidelidade.

O primeiro suplente da federação é o petista Gilmar Machado. O partido tem pressionado pela convocação. Na semana passada, o líder da sigla na Câmara, Pedro Uczai (SC), enviou ofício ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobrando a posse do correligionário.

Passo a passo

O despacho que dá prazo para a manifestação de Franco é assinado pelo corregedor da Câmara, Diego Coronel (PSD-BA). No documento, o pessedista diz que, antes do avanço dos trâmites, o tucano tem a prerrogativa de “apresentar manifestação escrita nos autos”.

Segundo a resolução que disciplina o funcionamento da Corregedoria, depois que Franco entregar o posicionamento, os argumentos serão analisados por Coronel. O baiano, então, terá de apresentar um parecer — que pode determinar a convocação de Gilmar. Só após isso Motta terá condições de convocá-lo. Esse rito foi adotado, por exemplo, no processo que culminou na cassação de Deltan Dallagnol (Novo-PR), em 2023.

Na Justiça

A decisão da Justiça determinando a perda de mandato foi proferida em 1° de julho, pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). À ocasião, ela confirmou liminar anterior dando razão à queixa do PV.

Glaycon Franco assumiu assento no plenário em maio, após Odair Cunha (PT) renunciar para atuar como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Durante o percurso do assunto no Judiciário, o deputado e o PSDB chegaram a peticionar contrarrazões alegando que não se pode equiparar, a parlamentares efetivos que trocam de legenda, suplentes que fazem a mudança sem nem mesmo saber se serão chamados para exercer o cargo legislativo. 

A tese é de que a mudança de filiação aconteceu de boa-fé, por ter ocorrido durante a janela partidária.

Estela Aranha, entretanto, refutou o entendimento. “O quadro em julgamento é bastante objetivo: o suplente efetivamente migrou de partido ainda na condição de suplente, de modo que a filiação anterior deve ser cancelada com todos os direitos e deveres a ela inerentes, entre os quais a possibilidade de ser convocado para exercer o mandato pelo partido por meio do qual concorreu originariamente”, escreveu.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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