O desconto milionário da Cemig para evitar o fracasso do leilão de um prédio em BH

Famoso edifício localizado a poucos minutos da Praça da Estação tem área de 7,7 mil metros quadrados
O prédio da Cemig na Rua Itambé, em BH
Edificação em estilo modernista dos anos de 1960 está localizada próximo ao viaduto de Santa Tereza no Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação. Foto: Cemig/Divulgação

Pela terceira vez, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tenta vender o edifício de oito andares que possui na Rua Itambé, na Floresta, bairro da Região Leste de Belo Horizonte. Nos dois primeiros leilões, não apareceram interessados.

Para que não se repitam as situações anteriores, a estatal reduziu o valor do imóvel em quase R$ 5 milhões, passando-o de R$ 32,9 milhões para R$ 27,96 milhões. O novo preço valor equivale a um desconto de 15% sobre o anterior. O prazo para a apresentação de propostas termina em 12 de junho.

Quando da segunda tentativa de venda do prédio, em janeiro deste ano, O Fator publicou reportagem mostrando que o montante inicial pedido pela Cemig indicava descompasso com os parâmetros de mercado para edificações do tipo.

Na ocasião, foram feitas comparações entre que o lance inicial solicitado pela estatal e os valores de duas outras edificações oferecidas em pregões na região central de Belo Horizonte. Uma delas, o edifício do antigo Othon Palace Hotel, na confluência da rua da Bahia com a avenida Afonso Pena; a outra, o  edifício que sediou  do antigo Banco de Crédito Real de Minas Gerias (Credireal), na Rua Espírito Santo, entre Carijós e Tupinambás e que foi vendido em março por R$ 19 milhões.

A comparação indicava, nos dois casos, que o prédio da Cemig deveria ter sido oferecido por um valor abaixo do que o que estava sendo proposto.  

Na ocasião, a Cemig negou que tenha supervalorizado o imóvel. Em nota a O Fator, a empresa explicou que os laudos de avaliação de seus imóveis são feitos por engenheiros legalmente habilitados, com registro ativo no Conselho Regional de Engenharia e Agrimensura (Crea-MG) e ampla experiência na área, sendo vedada a atuação de corretores de imóveis para este fim.

Questionada sobre as razões da redução do valor do imóvel na nova tentativa de venda, a empresa não considera que errou na avaliação do imóvel. Em nova nota a O Fator, a energética afirmou que o procedimento de alienação de seus bens imóveis segue o estabelecido no seu Regulamento Interno de Licitações e Contratos.

Afirmou também que as avaliações são baseadas na Norma ABNT NBR 14.653, que rege avaliação de bens e as premissas de precificação e liquidez que constam na norma, e são aplicadas conforme planejamento estratégico e de investimento da companhia.

Arquitetura modernista

O prédio, em arquitetura modernista dos anos de 1960, está localizado próximo ao Viaduto de Santa Tereza e integra o conjunto arquitetônico da Praça da Estação e adjacências. Assim, qualquer mudança no imóvel depende de autorização do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (CDPCM-BH).

O edifício tem área construída de 7,7 mil metros quadrados, conforme consta no documento inicial de registro do imóvel. Se for considerado um anexo com três pavimentos e estacionamento em três níveis para carros e caminhões, a área construída sobe para 13,8 mil metros quadrados. 

No mesmo leilão, a Cemig está oferecendo outro prédio, localizado no centro de Juiz de Fora, na Zona da Mata, além de imóveis nas regiões do Triângulo, Norte, Leste e Sul de Minas, tanto na área urbana quanto em localidades rurais. Para todos os imóveis, os lances devem ser oferecidos até o dia 12 de junho pela plataforma Superbid Exchange.

Marcelo Freitas é jornalista formado pela UFMG em 1981, com passagem pelos jornais "Diário do Comércio", "Hoje em dia", "O Tempo" e "Estado de Minas". Foi diretor de Comunicação da UFMG, assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte e diretor de Redação do portal de notícias BHAZ. É autor dos livros "A construção do tombamento", sobre o tombamento do centro histórico de Pitangui; "Não foi por acaso", sobre o Massacre de Ipatinga; e "Nós também estivemos na linha de frente", sobre as histórias do jornalismo durante a pandemia.

Leia também:

MP diz que Contagem levou apenas oito dias para atestar 21 prestações de contas de associação citada em investigação de R$ 23 milhões

Municípios mineradores pedem que ANM considere riscos do El Niño para barragens e pilhas

Fila da Justiça – Um passo de cada vez para a Justiça

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse