O pedido do governo de Minas ao STF sobre o pagamento da dívida com a União

Petição foi protocolada nesta sexta-feira (16) pela AGE-MG e trata da assinatura do primeiro termo aditivo do Propag
Nunes Marques
O ministro Nunes Marques é relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Gustavo Moreno/STF/ND

O governo de Minas Gerais pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (16), a suspensão, por seis meses, da ação que trata da renegociação do pagamento da dívida do estado com a União, no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O relator da ação é o ministro Kassio Nunes Marques.

O pedido foi protocolado pela Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) e tem como fundamento a assinatura, em 31 de dezembro, do primeiro termo aditivo relacionado à adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Na petição, a AGE-MG diz que a gestão do governador Romeu Zema (Novo) agora aguarda a aplicação efetiva das condições previstas na nova legislação para pagamento do débito com o governo federal, que soma R$ 179,3 bilhões.

A liberação dessas condições, no entanto, depende da aceitação, pela União, dos bens e ativos apresentados pelo estado. O governo mineiro ofereceu um conjunto avaliado em R$ 35,8 bilhões, que inclui participações em estatais, créditos tributários e imóveis.

“Considerando que tal ainda demandará atos administrativos posteriores da União ao longo do exercício de 2026, requer a suspensão do presente processo pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias”, argumentou a AGE. Agora, cabe a Nunes Marques decidir sobre o pleito.

Como mostrou O Fator, Minas repassou à União, na quinta-feira (15), a primeira parcela no âmbito do Propag, no valor de R$ 102 milhões. O acordo de refinanciamento prevê o pagamento de outras 359 parcelas mensais, o que corresponde a 30 anos.

Antes disso, no âmbito da renegociação do RRF feita no STF em outubro de 2024, a gestão Zema quitou o total de R$ 5,9 bilhões do passivo que tem com o Palácio do Planalto. A última parcela foi em dezembro, cujo montante foi de R$ 439,95 milhões.

R$ 35,8 bilhões em jogo

Como mostrou O Fator, a lista de ativos citada pelo governo mineiro como parte da negociação com o governo federal tem itens que, somados, equivalem a R$ 35,8 bilhões. O valor corresponde a 20% da dívida confessada junto ao governo federal — os já citados R$ 179,3 bilhões.

Segundo as regras do plano, quando 20% do débito é trocado pela federalização de bens, é possível reduzir o indexador dos valores, que passam a ser corrigidos apenas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem juros reais.

A relação de bens oferecidos ao Palácio do Planalto tem, por exemplo, recebíveis a que Minas tem direito por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Reforma Tributária (FNDR), estimados em R$ 30,3 bilhões. A poupança, criada a reboque da reforma tributária, surgiu com o objetivo de evitar a guerra fiscal entre estados.

Os R$ 35,8 bilhões também são compostos por R$ 1,8 bilhão advindos de imóveis que o estado tem interesse em repassar à União. A federalização da Companhia Energética de Minas (Cemig), cotada ao longo das tratativas do Propag, ficou em stand-by.

A proposta anexa ao contrato de refinanciamento da dívida diz que a empresa só será considerada para amortização da dívida caso parte dos ativos que somam R$ 35,8 bilhões seja descartada. O mesmo vale para as ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig) e da Minas Gerais Participações S/A (MGI).

O Tesouro Nacional ainda não definiu quais ativos serão aceitos, mas autorizou o estado a aplicar, desde já, a regra que reduz os encargos financeiros da dívida.

Regras do Propag

No primeiro ano de adesão ao Propag, o estado desembolsará apenas 20% do valor que, pelas regras originais, deveria ser pago mensalmente. Já em 2027, esse percentual sobe para 40% do montante integral das parcelas.

O valor das prestações crescerá de forma escalonada, com aumento de 20 pontos percentuais a cada exercício, até alcançar 100% no quinto ano de participação no programa.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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