Oposição a Zema na ALMG quer anular decreto de teto de gastos

Deputados dizem que crescimento das despesas só pode ser definido por meio de projeto de lei complementar
Foto mostra a fachada da ALMG
Projeto para sustar o decreto de teto de gastos vai tramitar na Assembleia. Foto: Clarissa Barçante/ALMG

O bloco de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) protocolou, na noite desta quarta-feira (28), um projeto de resolução (PRE) para sustar os efeitos do decreto que estabelece um teto de gastos para o estado. Segundo os nove deputados estaduais que assinam a proposta, a criação de um mecanismo para limitar o crescimento das despesas públicas deve ser feita por meio de um projeto de lei complementar (PLC) — e não amparado por um decreto.

Zema publicou uma edição extra do Diário Oficial do Estado para oficializar o teto de gastos. O mecanismo foi posto em vigor após Minas Gerais e a União entrarem em um acordo para a adesão retroativa do governo mineiro ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O ingresso no RRF, condicionante para a renegociação da dívida de R$ 165 bilhões do Palácio Tiradentes com o Executivo federal, pressupõe a criação de um teto para conter a ampliação dos gastos.

“Foi publicado o Decreto nº 48.886, de 28 de agosto de 2024, que dispõe sobre a limitação do crescimento anual das despesas primárias do
Estado em decorrência de sua adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, nos termos do inciso V do § 1º do art. 2º da Lei Complementar Federal nº 159, de 19 de maio de 2017. Entretanto, insta observar que tais regras e mecanismos de limitação do crescimento das despesas, pelo seu conteúdo, devem tramitar sob a forma de projeto de lei complementar, em atendimento ao disposto no art. 159 da Constituição do Estado”, lê-se na proposta para sustar o decreto.

O projeto é assinado pelas deputadas Lohanna França (PV), Andréia de Jesus (PT), Beatriz Cerqueira (PT), Bella Gonçalves (Psol) e Leninha (PT). Também subscrevem o texto os deputados Betão (PT), Doutor Jean Freire (PT), Professor Cleiton (PV) e Ricardo Campos (PT).

Entenda o teto de gastos

O teto de gastos determina que o crescimento anual das despesas do estado fica limitado à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na prática, os empenhos não poderão ultrapassar a inflação. A “trava” na elevação das despesas é uma contrapartida para a adesão à Recuperação Fiscal.

O exercício de 2023 será a base para o cálculo do limite para o crescimento das despesas públicas. Há, entretanto, exceções para o cumprimento da regra, como os repasses financeiros constitucionais feitos às prefeituras.

O acordo entre a Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE-MG) e a Advocacia-Geral da União (AGU) tem 1° de agosto como data retroativa para a adesão ao RRF. Assim, as parcelas da dívida voltariam a ser pagas em 1° de outubro. As condições ainda precisam ser homologadas pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)

    Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

    Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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