Dois dos maiores adversários e protagonistas das eleições mineiras e nacionais, há não tanto tempo assim, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) continuam como meros coadjuvantes, sem grande relevância e competitividade no cenário do Executivo mineiro.
Nas últimas eleições, a disputa se deu entre o então governador Romeu Zema, do Novo, candidato à reeleição, que acabou se confirmando ainda no primeiro turno, e Alexandre Kalil, à época no PSD, um político cuja fidelidade partidária e ideológica equivale a uma nota de três reais, assim como em quase tudo o que faz na vida.
Antes, um desconhecido “caipira” do interior, o mesmo Romeu Zema, desbancou dois dos grandes nomes da época: o petista Fernando Pimentel e o tucano Antonio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Mortos-vivos?
Porém, a irrelevância atual chama a atenção não somente pela falta de nomes viáveis, mas, principalmente, pelo desinteresse do eleitor mineiro em políticos dos dois partidos quando o cargo em disputa é o de governador.
Talvez a hecatombe produzida por Fernando Pimentel, quando ocupou o Palácio Tiradentes, tenha deixado uma verdadeira herança maldita ao PT em Minas Gerais. E Aécio Neves, com a história da mala de dinheiro e do primo que poderia matar com o todo-e-cada-vez-mais-poderoso Joesley Batista, tenha representado a pá de cal tucana.
A questão, contudo, vai além dos personagens. O eleitor de Minas parece ter desenvolvido uma rejeição específica às duas legendas para administrar o estado. Isso não significa que tenha deixado de votar em seus candidatos para outros cargos. Basta observar que o PT continua elegendo deputados e prefeitos, enquanto o PSDB também preserva algumas lideranças municipais.
Vence em Minas, vence no Brasil
Essa mudança alterou profundamente a lógica política de Minas. Durante muito tempo, direta ou indiretamente, toda eleição estadual girava em torno da polarização entre tucanos e petistas. Hoje, a disputa ocorre entre candidatos que, embora possam até receber apoio de um ou outro desses partidos, constroem suas candidaturas à margem deles.
Romeu Zema é o maior exemplo. Venceu em 2018 como um franco-atirador, surfando na onda antipolítica e no sentimento de renovação. Em 2022, já não era um desconhecido, mas transformou a aprovação de seu governo em capital eleitoral suficiente para liquidar a eleição no primeiro turno. O PT nem sequer conseguiu tornar a disputa competitiva, seja porque não lançou candidatura própria, seja porque escolheu Alexandre Kalil, o Mick Jagger da política mineira.
O cenário para 2026 parece caminhar na mesma direção, embora o partido de Lula prometa lançar candidatura própria, especificamente o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias – um excelente nome por sinal, mas, atualmente, sem musculatura eleitoral.
Salvo uma reviravolta hoje difícil de enxergar, a sucessão em Minas deverá continuar sendo decidida por candidaturas situadas fora desse eixo que dominou a política mineira e brasileira por quase três décadas. O PSDB, ao que tudo indica, já morreu. O PT continua respirando. Resta saber até quando. Lembrando sempre que, após a redemocratização, o candidato à Presidência que venceu em Minas acabou eleito.