A ala do PL que resistia à hipótese de candidatura própria ao governo de Minas Gerais começou a perder força. Nos bastidores, parlamentares passaram a admitir que a possibilidade de o partido lançar um nome ao Palácio Tiradentes ganhou corpo nas últimas semanas, diante da indefinição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Até poucos dias atrás, esse grupo torcia o nariz para a pré-candidatura do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. Agora, já considera sua consolidação caso o senador permaneça fora da corrida eleitoral.
Em conversas com O Fator, integrantes do partido afirmaram que a candidatura própria deixou de ser apenas um plano alternativo e passou a ser tratada como um cenário cada vez mais provável. A mudança de avaliação ocorre principalmente entre parlamentares ligados à ala mais ideológica da legenda, que, até recentemente, apostavam na entrada de Cleitinho na disputa.
A oficialização da pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas acelerou essa mudança de posição. Na avaliação de integrantes da ala ideológica do PL, um eventual confronto entre Vittorio Medioli e o petista permitiria reproduzir, em Minas, a polarização entre direita e esquerda que marcou as últimas eleições nacionais.
Parlamentares ouvidos pela reportagem avaliam que uma disputa direta contra Patrus fortaleceria o discurso bolsonarista e reduziria o espaço para candidaturas de centro, especialmente a do governador Mateus Simões (PSD). Com o PT definitivamente na corrida, esse grupo passou a defender que o PL tem mais a ganhar lançando um candidato próprio do que buscando uma composição.
A nova postura, porém, não significa que Cleitinho tenha saído do radar. O senador continua sendo o nome preferido da ala ideológica. Como ainda evita confirmar se disputará o governo de Minas, parlamentares passaram a admitir, pela primeira vez, a consolidação da pré-candidatura de Vittorio Medioli caso o republicano permaneça fora da disputa.
A mesma estratégia
Se a ala ideológica mudou o tom, a direção do PL garante que a estratégia do partido permanece exatamente a mesma. Lideranças da legenda ouvidas por O Fator afirmam que a confirmação de Patrus Ananias não altera o planejamento eleitoral. A prioridade continua sendo aguardar uma definição de Cleitinho antes de qualquer decisão sobre a cabeça de chapa.
A avaliação da cúpula é que o senador segue sendo o nome mais competitivo do campo da direita em Minas. Caso ele confirme que não disputará o Palácio Tiradentes, o caminho natural será consolidar Vittorio Medioli, que na semana passada intensificou a agenda de pré-campanha.
Reservadamente, dirigentes admitem que Patrus é um adversário considerado eleitoralmente interessante para o PL. Neste ponto, a leitura da cúpula é parecida com a da ala ideológica: uma disputa direta entre um candidato liberal e um nome petista nacionalizaria a eleição, movimento visto pelo partido como benéfico para suas pretensões.