Ciclovia da Afonso Pena: a PBH em seus labirintos

O prefeito Fuad não pode ficar a mercê de maus assessores e técnicos, que o convencem à más ideias
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O caso ainda terá novos desdobramentos, com a manifestação da Prefeitura de Belo Horizonte, que poderá contestar os argumentos apresentados na ação. (Foto: Divulgação/PBH)

Passei boa parte de 2023, ainda como colunista do jornal Estado de Minas e do Portal UAI, bem como comentarista das rádios Itatiaia e 98 FM, criticando a decisão desastrada do fechamento do Aeroporto Carlos Prates em Belo Horizonte.

A meu ver, além de todo o impacto negativo sócio-econômico atual, o legado que o encerramento de um pólo de aviação como o CP deixará, é simplesmente desastroso para o futuro de BH, seja em termos de imagem ou mesmo (na prática) do dia a dia da cidade.

UMA SUCESSÃO DE ERROS

Acompanhei de perto o processo e, para mim, restou claro que o prefeito Fuad Noman, a quem declaradamente respeito e admiro, deixou-se levar por um plano mirabolante (após as trapalhadas dos governos federal e estadual), e embarcou nessa canoa furada.

Resultado: um ano depois, conforme previsto e avisado por todos que entendem do assunto, o prejuízo para a aviação permanece, o tal bairro e demais equipamentos públicos não saíram e a cidade vem gastando dinheiro com manutenção e segurança do local.

CICLOVIA DO FIM DO MUNDO

Mais uma vez, infelizmente, penso que nosso querido prefeito foi levado ao engano e se meteu em outra enrascada. Falo da Ciclovia da Avenida Afonso Pena, uma obra tão evidentemente inútil, que chega a ser incompreensível a insistência em sua realização.

Os motivos são óbvios e ululantes: custo altíssimo perante o benefício (aliás, sobre custo, tenho uma pergunta mais abaixo); número ínfimo de usuários diários; impacto gigantesco no trânsito; relevo completamente hostil a uma ciclovia, dentre tantos outros.

ANTES TARDE QUE MAIS TARDE

Não me surpreende, portanto, ao contrário, pois relativamente tardia, a ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nesta quinta-feira (03), pedindo a paralisação das obras até que um estudo de impacto e viabilidade seja apresentado pela Prefeitura.

A partir de uma representação de autoria da sempre excelente e combativa vereadora Fernanda Altoé (Novo), em janeiro deste ano, a não menos excelente e combativa promotora de Justiça, Dra. Luciana Ribeiro, instaurou a chamada “Notícia de Fato”.

CALENDÁRIO ELEITORAL

Ato contínuo, a partir das alegações e documentos apresentados pela vereadora, que embasaram o procedimento da promotora, o MPMG ofereceu uma Ação Pública, amplamente noticiada nesta manhã. Até o momento, a PBH não se pronunciou a respeito.

É surpreendente, lendo a peça jurídica, saber que nem sequer providências mínimas como pedidos de licenciamentos prévios e estudos de impacto ambiental e de mobilidade foram observados pela Prefeitura. Ou seja, ao que parece, o calendário eleitoral falou mais alto.

ALÔ, PBH: QUERO SABER

Tão ou mais surpreendente é a representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), feita por outro excelente e combativo parlamentar municipal, o presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte (CMBH), Gabriel Azevedo (MDB). 

Na peça, o vereador cobra explicações sobre os custos do projeto (algo como 28 milhões de reais), pois não há a informação clara – nem uma simples planilha, meu Deus do Céu!! – sobre o valor da ciclovia, já que inserida em um plano de revitalização do centro da cidade. 

MAL ASSESSORADO; SÓ PODE

Renato Aragão, ou melhor, Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo diria: “cuma?” Sim. Porque não haver a informação do custo detalhado da ciclovia me parece, muito mais que um erro administrativo, desinformação proposital. E (também) isso é inadmissível.

O prefeito Fuad não pode ficar a mercê, sob risco de danos a si próprio – o que é extremamente injusto e imerecido -, de maus assessores e técnicos que o convencem a, literalmente, embarcar em canoas furadas como o Carlos Prates e agora a ciclovia.

ENCERRO

Sou um sedentário (um de meus péssimos hábitos, aliás) incorrigível. Em uma bicicleta, devo ter subido, a última vez, com 15 ou 16 anos. Mas estou a anos-luz de não reconhecer o ciclismo como, além de um belo esporte, um modal importante para a mobilidade urbana.

Sou contra as ciclovias? Claro que não! Mas sou radicalmente contra todo e qualquer projeto inútil ou danoso à sociedade e aos cofres públicos, como no caso em questão. Atrapalhar a vida de milhares de pessoas, ao custo de milhões de reais, para meia dúzia de ciclistas se deslocarem pela Afonso Pena, é uma péssima ideia.

Espero sinceramente que a prefeitura encontre a saída deste (mais um) labirinto o quanto antes.

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