Cronologia das COPs: o que explica a importância da Cúpula do Clima em Belém

Cúpula de Líderes da COP
Reunião de chefes de Estado marcou a abertura da COP 30, em Belém, na semana passada. Foto: Alex Ferro/COP 30

Nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), uma das portas de entrada da Floresta Amazônica, representantes de 170 países começam a discutir, na COP 30, um tema que interessa diretamente a cerca de 8,2 bilhões de pessoas: as mudanças climáticas. O Fator está na capital paraense, acompanhando o passo a passo das negociações e, para que o leitor compreenda o que está em jogo nesse evento, começou a publicar uma série de reportagens sobre temas relacionados às mudanças climáticas.

A primeira reportagem, já no ar, se debruça sobre as diferentes formas de preservação das florestas. Agora, neste texto, O Fator faz um retrospecto da história das COPs, destacando aquelas que foram importantes para tentar controlar a emissão dos gases causadores do efeito estufa.

O discurso inicial

Na quinta-feira (6), durante a abertura da Cúpula dos Líderes da COP 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou os representantes dos países visitantes a agir com coragem e determinação. Ele alertou que o tempo para ação global está se esgotando rápido e que 2025, ano em que se comemoram os 80 anos da ONU — e os dez anos do Acordo de Paris —, será decisivo para o multilateralismo e para a prestação de contas.

“A COP 30 será a COP da verdade”, afirmou, destacando que o momento pede respeito aos alertas científicos, convertendo palavras em mudanças duradouras.

Ele fundamentou seu discurso no conceito brasileiro de mutirão — esforço coletivo e solidariedade —, convocando os líderes a abraçarem a responsabilidade compartilhada como base para o progresso.

A reunião marcou também o lançamento oficial do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Ao todo, 53 países assinaram sua Declaração de Lançamento, um marco significativo para o fundo, que inaugura uma nova era de colaboração global entre investimentos públicos e privados, impulsionando estratégias permanentes de conservação e fortalecendo parcerias em todo o mundo para proteger os ecossistemas tropicais mais críticos.

Nesta terça-feira (11), uma outra reportagem irá mostrar os desafios da transição de uma economia baseada na energia vinda do petróleo para uma economia baseada em fontes renováveis, que dispensem o petróleo. O petróleo é o insumo que, quando queimado, gera o dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases responsáveis pelo aumento da temperatura na Terra.

O acordo para evitar o aumento da temperatura na Terra é uma equação de duas variáveis: a redução do lançamento de CO2 e o aumento das áreas de floresta, para que o dióxido de carbono a ser lançado não contribua para a subida dos termômetros.

A quarta reportagem terá como base o cenário atual, no qual as mudanças climáticas já são realidade. O texto vai mostrar o cenário das cidades e o impacto da crise climática sobre a vida das pessoas.

Uma breve história das COPs

COP é a sigla em inglês de Conference of Parts (Conferência das Partes, em português). Sua história começou a ser contada há 33 anos, no Rio de Janeiro, durante a 2ª Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Ali, os 175 países participantes iniciaram a discussão de planos para combater os impactos dos gases de efeito estufa e para tornar a economia global mais sustentável, com o uso dos recursos da natureza de maneira mais racional e a conservação da biodiversidade.

Ficou decidido também que estes encontros seriam realizados anualmente, em um sistema de rodízio entre os países que assinaram os acordos firmados durante a Rio-92. A primeira COP aconteceu em Berlim, na Alemanha, em 1995, três anos depois da conferência do Rio de Janeiro. Nessas três décadas de COP, em apenas um ano, 2020, por causa da pandemia do coronavírus, o encontro deixou de ser realizado.

Nem todos os encontros tiveram a mesma importância. Alguns foram considerados marcos nessa trajetória, pois neles foram assinados tratados que resultaram em avanços importantes para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e a criação de incentivos para a preservação das florestas.

Outros não tiveram igual peso, mas serviram como ponte para que o entendimento iniciado em um ano fosse fechado no ano seguinte. Um exemplo: o Procolo de Quioto, assinado na COP 3, do Japão, em 1997, começou a ser discutido na COP 1, de Berlim, na Alemanha. O Acordo de Paris, outro marco na história das COPs, foi firmado na COP 21, mas começou a ser costurado dois anos antes, na COP 19, de Varsóvia.

As COPs que deixaram marcas

COP 1 – Berlim, Alemanha, 1995  

A primeira COP foi importante por reconhecer que os compromissos climáticos estabelecidos até então eram insuficientes. Nela, deu-se início ao processo de negociação de metas e prazos para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa pelos países desenvolvidos. Um detalhe curioso: os países desenvolvidos não foram incluídos nessa reunião. A não presença se deu com base na ideia de que as nações tinham responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Eram os primeiros passos para a criação do Protocolo de Quioto.

COP 3 – Kyoto, Japão, 1997

O marco da COP 3 foi a definição dos termos do Protocolo de Quioto, que, pela primeira vez na história, estabeleceu as metas de redução dos gases de efeito estufa para os países desenvolvidos. A meta geral era de uma redução de 5,2% em em relação às emissões de 1990. Japão, Estados Unidos e União Europeia assumiram compromissos mais ambiciosos de diminuição. Porém, os norte-americanos não mantiveram a palavra e se retiraram do acordo quatro anos mais tarde, em 2001. Quatro anos depois, em 2005, o Protocolo de Quioto entrou em vigor.

COP 11 – Montreal, Canadá, 2005  

O encontro marcou a entrada em vigor do Protocolo de Quioto e o entendimento de que era necessário ter metas de longo prazo após o término do Protocolo, o que ficou conhecido como Acordo de Montreal. A cúpula foi importante devido ao início de discussões mais ambiciosas sobre a redução das emissões de dióxido de carbono, além de trazer à tona o debate sobre os impactos climáticos do desmatamento e do uso dos recursos naturais.

Acordo de Paris, assinado na COP 21, em 2015, foi o primeiro tratado climático internacional assinado por praticamente todos os países. Foto: ONU

COP 21 – Paris, França, 2015

A COP 21 é considerada um marco por ter sido palco do primeiro tratado climático internacional assinado por praticamente todos os países. O acordo, que encontra-se em vigor, objetiva limitar o aquecimento global a 2 ºC, com as nações se comprometendo a fazer esforços para mantê-lo em 1,5 ºC. No acordo, estão as metas de redução estipuladas por cada país, os mecanismos de adaptação e financiamento climático e a estrutura de transparência que regula o cumprimento das metas acertadas. O acordo começou a vigorar em 2025, com previsão de que seja revisto a cada cinco anos.  

COP 26 – Glasgow, Reino Unido, 2021 

A COP de Glasgow consolidou o entendimento de anos anteriores que de que 2 ºC de limite não são suficientes e que é necessário alcançar a meta de 1,5 ºC de temperatura média global acima dos níveis pré-industriais. Além disso, o encontro aprovou o mercado global de carbono, estabelecendo regras para a comercialização de seus créditos.

COP 27 – Sharm el-Sheikh, Egito, 2022

A reunião no Egito deixou como marco a criação de um fundo para financiar perdas e danos em países pobres afetados por desastres climáticos. O objetivo é ampliar a justiça climática. Houve também progressos nas discussões sobre metano, com a China tendo se comprometido a reduzir suas emissões desse gás.

COP 29 – Baku, Azerbaijão, 2024  

A COP 29 avançou nas discussões sobre o financiamento climático e estabeleceu que países desenvolvidos devem liderar o aporte de pelo menos US$ 300 bilhões  até 2035 para que países em desenvolvimento possam implementar ações de redução de emissão de gases de efeito estufa e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.

COP 30 – Belém, Brasil, 2025

O cenário que se coloca da COP 30 não é o de que um novo e abrangente acordo vá ser assinado. A expectativa é de que também seja uma COP intermediária, na qual o principal avanço estará na implementação do que foi decidido em anos anteriores.

Em entrevista a O Fator, a economista Ana Toni, diretora-executiva do evento, afirma que as conferências do clima precisam ser entendidas como “processo” e não como “reunião de duas semanas”.

Embora faça questão de ressaltar que os temas a serem levados às mesas de diálogo na capital paraense são fruto de conversas que já vêm acontecendo entre líderes mundiais, Toni acredita que a conferência brasileira servirá para impulsionar a aceleração rumo à utilização de medidas para transição justa, preservação de ecossistemas e valorização econômica dos ativos da natureza.

“Esperamos que a nossa COP possa ser muito emblemática no sentido de partirmos para a aceleração da implementação das soluções que já existem, porque a transição já começou. A discussão agora é sobre como a gente dá escala para essas mudanças”, afirma.

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Encontro contou com a presença de dirigentes do partido e parlamentares do Congresso