Do Serro para o mundo: como programa da Anglo American impulsiona produtores e ajuda o queijo mineiro a romper fronteiras

O programa já apoiou 156 produtores de queijo do Serro e quase 300 empregos foram criados ou mantidos por conta de suas ações. Foto: Divulgação/Anglo American

Em cada ladeira do Serro, parada obrigatória do mapa turístico de Minas Gerais, o cheiro do leite fresco carrega mais do que promessas de queijo. O aroma traz, também, a memória de famílias que, geração após geração, sustentam uma das mais antigas tradições mineiras. Nos municípios de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas e Dom Joaquim, o queijo minas artesanal é figurinha carimbada nas cozinhas, mas também representa sobrevivência, trabalho coletivo e identidade.

Desde 2013, um novo protagonista compartilha esse enredo: trata-se do Programa Crescer, iniciativa da Anglo American, contando com a consultoria da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG) , criada para fortalecer o desenvolvimento socioeconômico e sustentável das comunidades que recebem as operações da empresa.

Com diagnósticos detalhados das vocações locais, o programa prioriza talentos e modos de vida. A partir de cadeias produtivas como a do queijo artesanal, o Crescer oferece capacitações, consultorias técnicas e assessoria gerencial.

O objetivo é aliar a geração de emprego e renda à diversificação econômica e à garantia de autonomia das comunidades. O apoio às cadeias produtivas regionais também resgata o orgulho local.

Impulso a pequenos produtores

Irenice Bicalho é produtora de queijo em Conceição do Mato Dentro e, em 2016, foi selecionada para participar do Crescer.

“Eu falo que, se eu não produzisse queijo, uma das maiores despesas para mim seria o queijo”, conta, aos risos. Ao recordar o passado, revela o cotidiano de uma família numerosa: “Nós somos doze irmãos e a gente queria comer queijo, mas não podia, porque o queijo era uma forma de sustento”, explica.

Ao lembrar da infância, a produtora cita o caráter familiar do processo de confecção, quase artesanal, dos queijos.

“O processo de ser de geração em geração, sempre pra mim a história falou mais alto. E o queijo é história, tradição. É cultura, arte, é superação”, aponta.

Quando foi selecionada para o Programa Crescer, Irenice recebeu cursos e mentorias que abriram horizontes para áreas como a divulgação dos produtos e a contabilidade de lucros e despesas.

“A gente sabe trabalhar da porteira para cá, e eles trabalham da porteira para lá”, resume, ao comentar a parceria com a iniciativa da Anglo American.

A participação no Crescer reacendeu sua motivação para honrar a tradição: “Para mim é uma honra, é um prazer e, assim, me sinto cada dia mais privilegiada de poder dar sequência à história do queijo da região do Serro”.

Legado e memória

Em outra fazenda da região, Estela Mares transforma a lida com o queijo em gesto de homenagem.

“O queijo Dona Iaiá não é só uma tradição do patrimônio imaterial mineiro. É uma forma de homenagear minha mãe”, diz.

Terceira geração na produção, Estela conta como o modo de fazer, passado de mãe para filha, traduz não só sustento, mas também orgulho e carinho.

“O novo queijo é um produto que vem alcançando paladares de muita exigência, e a gente consegue sair da região e agregar valor. Então, essa inovação do queijo ajuda muito na forma de agregar valor também”, reflete. Mudar, para ela, é continuar abrindo caminhos para novos mercados, sem perder a tradição familiar.

Com quase 84 anos de idade, Neusa Pimenta se lembra bem dos tempos em que o queijo era moeda de troca.

“Meu pai mexeu com queijo a vida toda. Meus avós, bisavós, a geração até tataravós. E nessa mexida de queijo dele, ele punha todo mundo para ajudar a fazer o queijo”, relata. A mãe, que partiu quando Neuza tinha sete meses, deixou ao pai a tarefa de criar onze filhos: “A renda dele era o queijo”, recorda.

No tempo em que ir a Diamantina levava dias com tropas de mula, o trabalho em família era lei.

“Eu confiei na minha capacidade. A família Pimenta não entrega à toa, não. Eu vou fazer 84 anos e não sinto dificuldade… Certas coisas, você sabe que a gente não aguenta fazer mais. Eu largo tudo para mexer com os queijos. Aprendi vários cursos, devo ter uns dez diplomas, mas ainda sigo a maneira do meu pai”, orgulha-se.

Resultados do Programa Crescer

O Programa Crescer, realizado no empreendimento Minas-Rio da Anglo American, impacta diretamente a vida no campo. Desde seu início, em todas as frentes, já foram investidos cerca de R$ 24,5 milhões. O programa já apoiou 156 produtores de queijo do Serro e quase 300 empregos foram criados ou mantidos por conta de suas ações. Em outras cadeias, como a de apicultura, 17 apicultores foram beneficiados; na horticultura, 40 produtores; e mais de 2 mil jovens participaram de capacitações para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Os efeitos concretos aparecem nos números: aumento de quase 50% na renda média dos produtores de leite e queijo; 66% para apicultores; 32% para horticultores; e 25% para jovens em formação. 

A consultoria do programa inclui diagnósticos das potencialidades locais, assessoria técnica e capacitação gerencial — voltados para melhorar processos, qualidade dos produtos e habilidades de gestão. O suporte contínuo permite não só aumentar a produção e a renda, mas também profissionalizar, divulgar e expandir mercados.

Reconhecimento para além das montanhas

A valorização dos queijos não ficou restrita ao Serro. Sessenta e um produtos elaborados por produtores apoiados pelo Crescer já conquistaram prêmios em competições nacionais e internacionais. No 2º Mundial do Queijo do Brasil, em 2022, o ouro veio para Aguimar Barbosa, do município do Serro, na categoria um ano de maturação. Estela Mares ganhou prata na categoria 100 dias e bronze em 60 dias de maturação.

Em 2024, no 3º Mundial do Queijo do Brasil, foram seis premiações: Idanir Miranda, de Alvorada de Minas, alcançou o ouro, enquanto Irenice Bicalho e Geovani Madureira Bicalho, de Conceição do Mato Dentro, conquistaram a prata. Os prêmios confirmam que o trabalho tradicional, quando aliado à formação e inovação, ultrapassa fronteiras e ganha relevância internacional.

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Encontro contou com a presença de dirigentes do partido e parlamentares do Congresso