Minas Urbano usa esporte para transformar rotina de jovens em espaço de convivência e novas oportunidades

escalada minas urbano
Amanda Dias/OFator

Entre a escola e os compromissos da semana, existe um horário pelo qual crianças e adolescentes aguardam ansiosamente na Avenida Cristiano Machado, em BH. São as aulas do Minas Urbano. No Centro Mineiro de Esportes Urbanos, centenas de crianças e adolescentes encontram atividades que, aos poucos, deixam de ser apenas uma aula e passam a fazer parte da rotina. 

O espaço é um dos braços do Minas Urbano, iniciativa do Governo de Minas em parceria com a Codemge. Ali, jovens têm acesso gratuito a três modalidades de esportes urbanos: escalada, basquete 3×3 e break dance. Eles fazem isso acompanhados por professores e estagiários que utilizam os esportes urbanos como ferramenta de formação, convivência e desenvolvimento pessoal.

Ao longo dos meses, os alunos aprendem fundamentos esportivos, participam de desafios e desenvolvem novas habilidades. E os resultados mais marcantes nem sempre aparecem nas quadras ou na parede de escalada. Muitas vezes, eles surgem nas relações construídas entre colegas, na confiança para enfrentar desafios e no sentimento de pertencimento criado dentro do Centro.

Em casa, mas na rua

Cada aluno chega ao Minas Urbano por um caminho diferente. Vários começaram as aulas após o incentivo dos pais, mas muitos também buscaram por conta própria e escolheram as modalidades que gostariam de aprender. 

É o caso de Ana Clara, de 16 anos, que conheceu o Minas Urbano pelas redes sociais. Curiosa para entender melhor a proposta, ela decidiu visitar o espaço e não saiu mais. Hoje, a jovem divide a rotina entre escola, aulas de escalada e balé, prática em que deixa de ser aluna e passa para o papel de professora. 

Os dias são corridos, mas o compromisso com o Centro Mineiro de Esportes Urbanos se tornou parte indispensável da agenda. “Eu adorei muito aqui, né? Aqui é praticamente minha segunda casa. E é muito legal estar aqui”, conta a adolescente, que escolheu entrar para a turma da escalada.

Minas Urbano em família

A experiência é semelhante para os quase 400 alunos matriculados regularmente no espaço. As atividades acontecem ao longo de toda a semana e são organizadas por faixa etária, permitindo que crianças e adolescentes encontrem um ambiente adequado para aprender e se desenvolver.

Isaac, de 15 anos, é um dos alunos do basquete 3×3. Ele chegou ao projeto em 2026, ao lado do irmão. Antes disso, estava mais acostumado a jogar futebol, mas migrou aos poucos para o basquete pelo convívio com o irmão. 

“Eu jogava futebol, aí eu comecei a jogar basquete por causa dele, porque ele entrou em um time, aí eu comecei a jogar basquete”, conta. O jovem destaca que vê vários benefícios no contato diário com os esportes humanos, mas o principal continua sendo o laço familiar.

“A parte mais legal é o time, a família. Eu acho da hora. Jogar campeonato com o time, eu acho muito da hora. Eu gosto de jogar com o meu irmão”, explica Isaac. Entre os horários da escola e os compromissos de casa, ele encontra tempo para praticar, treinar e continuar desenvolvendo o que aprende nas aulas mesmo quando não está no Centro. 

A rotina dos estudantes ilustra um aspecto importante do Minas Urbano: o projeto não funciona como um evento isolado na semana dos jovens e adolescentes. Aos poucos, ele passa a ocupar um espaço permanente na vida dos participantes.

O momento mais esperado

A empolgação dos alunos preenche o espaço na avenida Cristiano Machado e contagia também os professores. Eles contam que uma cena se repete frequentemente antes do início das aulas. 

Os alunos chegam animados, cumprimentam professores e estagiários rapidamente e procuram começar a prática imediatamente. A partir daí, é tarefa dos professores entender e se adaptar à individualidade de cada um. 

“Cada criança tem a sua particularidade, a sua forma de falar, a forma de agir. Mas na maioria das vezes eles chegam animados para fazer a aula. Eles estão esperando esse momento a semana inteira, essas duas aulas deles na semana inteira”, conta Gabriel Nascimento, professor de Basquete 3×3. 

O entusiasmo ajuda a explicar o alto nível de engajamento dos alunos. Mesmo aqueles que chegam sem conhecer profundamente as modalidades desenvolvem rapidamente o interesse pelas atividades. 

Isso acontece porque o primeiro contato com o esporte é planejado para despertar curiosidade e proporcionar experiências positivas. O objetivo é garantir que cada aluno encontre prazer na prática esportiva antes mesmo de pensar em desempenho ou competição.

Aprender brincando

Depois da chegada, começa a parte mais divertida do dia.Nas quadras, no muro de escalada ou na pista de dança, cada modalidade desenvolve sua própria dinâmica. E apesar das diferenças, todas partem de um princípio em comum: o aprendizado leve e acessível.

Luis Henrique, que é aluno de Escalada, conta que gosta da dinâmica das aulas e contato com os professores. “Primeiro a gente faz o treino físico, aí depois normalmente faz uma brincadeira pra poder esquentar o corpo. Aí depois a gente fica um tempinho escalando. A gente fica um tempo escalando e a professora tá sempre à disposição pra poder nos ajudar”, detalha o jovem. 

A professora dele é Izabela Marra, que explica que o trabalho vai muito além da orientação técnica. “Eu gosto de conversar bastante. E aí quando eu vejo alguém que está muito tímido, eu tento me colocar no lugar dele. Aí eu brinco bastante com eles, entro um pouco na idade deles”, explica. 

A professora ainda completa: “Eu tento quebrar o gelo com eles, pra eles ficarem mais confortáveis possíveis, porque acho que isso é muito importante”. 

O resultado aparece de formas diferentes. Alguns alunos se tornam mais comunicativos. Outros ganham confiança para enfrentar desafios físicos que pareciam impossíveis no início das aulas. Há ainda aqueles que descobrem novas amizades e passam a frequentar o espaço com um sentimento crescente de pertencimento.

‘Como se fosse uma família’

Com o passar dos meses, o esporte deixa de ser o único motivo que leva os estudantes ao Centro. “A relação com os professores é incrível, a Ju também é maravilhosa, adoro ela”, conta Ana Clara, citando a Coordenadora Técnica do Centro, Juliana Cunha.

“E todo mundo aqui é como se fosse uma família, todo mundo te recebe muito bem, com sorriso no rosto. Eu adoro estar aqui por esses simples fato também”, detalha a bailarina que faz aulas de escalada no Centro Mineiro de Esportes Urbanos.

Isaac compartilha uma percepção parecida: “A parte mais legal é o time, a família. Eu acho da hora. Jogar campeonato com o time, eu acho muito da hora. Eu gosto de jogar com o meu irmão”.

Pertencimento e legado

O sentimento de pertencimento é uma das características mais observadas pelos profissionais que acompanham o projeto. Aos poucos, todos já começam a colher os frutos do trabalho no Minas Urbano. 

A própria Ana Clara conta que a principal mudança que percebeu na própria vida após entrar para o Minas Urbano vai além do esporte. “A comunicação. Eu sou uma menina muito tímida e isso me ajudou bastante. O contato com eles me ajudou a ser mais comunicativa”, avalia. 

Segundo ela, esse aprendizado ajuda também quando ela assume o papel de professora. É que a adolescente, que foi bailarina por toda a vida, também dá aulas de balé. Agora, com as habilidades que desenvolveu no Minas Urbano, ela sente que conseguiu melhorar o contato com os próprios alunos.

Esse processo ajuda a explicar por que muitos participantes do Minas Urbano permanecem no projeto por longos períodos e passam a enxergar o Centro Mineiro de Esportes Urbanos como um espaço de referência em suas vidas.

Muitas vezes, o Centro Mineiro de Esportes Urbanos aparece como uma resposta acessível para um desejo que muitas crianças e adolescentes já manifestam e os pais nem sempre sabem como atender. 

“Semana passada teve uma mãe que chegou aqui porque o filho começou a ir pra praça jogar basquete sozinho. Porque ele começou a gostar de basquete do nada”, lembra Juliana Cunha, coordenadora técnica do CT. 

“E aí ele jogava sozinho. Até que a mãe falou assim: vou pesquisar um projeto, quem sabe não tem. E ela achou aqui o CT”, conta. Assim, o jovem marcou uma aula experimental para se juntar com outras pessoas da mesma idade que também têm interesse pelo esporte.

Esse tipo de resultado ajuda a compreender o propósito central do Minas Urbano. Embora o esporte seja o ponto de partida, o objetivo final vai além do desenvolvimento físico ou técnico. 

A proposta é criar oportunidades para que crianças e adolescentes ampliem horizontes, construam vínculos e desenvolvam habilidades que serão úteis em diferentes áreas da vida.

Muito além das quadras

O Centro Mineiro de Esportes Urbanos é apenas uma das frentes do Minas Urbano. Além das atividades realizadas em Belo Horizonte, o projeto percorre diversas regiões do estado por meio de uma arena itinerante dedicada aos esportes urbanos.

Juntas, as iniciativas ampliam o acesso ao esporte e alcançam milhares de jovens mineiros. Em cada cidade visitada e em cada aula realizada no Centro, o projeto busca oferecer algo que vai além da prática esportiva: oportunidades de crescimento, convivência e descoberta.

Maira Monteiro

Produtos e Tech

Jornalista formada pela PUC Minas, com especialização em Gestão de Mídias Digitais, Business Intelligence e Inteligência Artificial pela ESPM. Ao longo de mais de 15 anos de carreira, liderou projetos digitais em veículos como Rede 98, Record TV e BHAZ e também atuou em marketing digital em agências como a Máquina.

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Encontro contou com a presença de dirigentes do partido e parlamentares do Congresso