A estrada de sucesso percorrida pela Transmartins

Com clientes de peso e extensa frota de caminhões, a transportadora acumula crescimento da ordem de 50% nos últimos anos e alcançou faturamento de R$ 115 milhões em 2023
Caminhão da Transmartins
A Transmartins possui uma frota de 60 caminhões próprios e 140 agregados (Foto Divulgação Transmartins)

Por sua vasta extensão territorial e os mais de 1,7 milhão de quilômetros de vias, o Brasil possui a quarta maior malha rodoviária do mundo. Não por acaso, o modal representa cerca de 60% do transporte de cargas do País. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito dão conta de que há mais de 3,5 milhões de caminhões em circulação no Brasil e milhares de empresas em operação no segmento. Neste leque, uma mineira se destaca: a Transmartins.

Fundadores Transmartins
Dona Hygina e Sr. Jose Cruz

A empresa foi fundada em Belo Horizonte, em 1953, com o título de Empreza Transportes Martins, e migrada pouco tempo depois para Dona Hygina e Sr. Jose Cruz. Sete décadas e algumas transformações depois, a experiência de mercado e a expertise para prestação de serviços em transporte de carga industrial com foco em manutenção, reparo e operações, junto às atividades de siderurgia, metalurgia, mineração e energia, mantém o negócio rentável, mesmo diante dos entraves – históricos e recentes – que perduram por décadas no setor.

Prova disso são os resultados. Nos últimos anos, a Transmartins acumula crescimento da ordem de 50%. Apenas em 2023, a empresa faturou R$ 115 milhões, receita 9,7% maior que o registrado em 2022. Nos dois exercícios anteriores, os incrementos haviam sido da ordem de 20%. E para 2024, a meta é crescer 15%. Caso a projeção se confirme, o faturamento deverá ser da ordem de R$ 133 milhões.

Números da Transmartins

O homem de confiança da família Martins

Fernando Mio - presidente Transmartins
Fernando Mio, 44 anos, é casado com a Patrícia e pai do Gabriel e do Vítor – formado em Administração pela PUC e especialista em Gestão de Resultado pelo Ibmec

Alcançar o resultado é uma das missões de Fernando Mio – o CEO da Transmartins. Ele é a primeira pessoa fora da família a assumir um cargo da diretoria na transportadora. No cargo há quatro anos, o executivo integra o quadro da empresa há 20 e conta com orgulho como tudo aconteceu.

“Na verdade, esta é minha segunda passagem pela Transmartins. Comecei a prestar consultoria para a empresa, em 2004, na área de mapeamento de processos e gestão. Em 2005, quando encerrou o projeto de 9 meses, fui convidado a compor o quadro e constituir a área de Central de Operações, onde fiquei até 2008”, recorda.

Naquele ano, ele deixou o operacional e passou a compor a Central de Inteligência da empresa, que hoje é a área de PGI – Planejamento e Gestão Integrada. O setor é responsável pelo acompanhamento das operações e gestão de resultados. Em 2013, Mio atuava como assessor da presidência, mas optou por experimentar novos desafios e resolveu empreender na área de franchising.

O executivo conta que recebeu um convite para ser franqueado da rede de fast food Subway. O negócio deu certo e, com outros sócios, constituiu um grupo que chegou a ter oito lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “Mas nunca perdi o contato com os diretores da Transmartins e, em 2019, retornei já na Presidência. É que a empresa também tinha passado por algumas mudanças e o novo acordo societário previa que entre os 65 e 67 anos todos os executivos teriam que deixar as funções executivas e passar para o Conselho de Administração. Foi então que o Ulisses resolveu antecipar um pouco sua saída e surgiu o convite para substituí-lo. E no dia 1º de novembro de 2019 eu assumi o cargo”, diz.

Linha do tempo da Transmartins

Matriz Transmartins
A empresa, com matriz em Belo Horizonte, também possui filiais nas cidades de São Paulo (SP), Duque de Caxias (RJ), Coronel Fabriciano (MG), João Monlevade (MG) e Serra (ES)

A Transportadora nasceu em Belo Horizonte fazendo o transporte rodoviário de carga fracionada e cresceu em direção à região do Vale do Aço, se fortalecendo, especialmente, junto aos setores de siderurgia e metalurgia. Sempre com foco no abastecimento de almoxarifado, ou seja, fazendo retiradas e entregas não de produtos finais, mas de itens inerentes aos processos produtivos. São os chamados materiais de manutenção, reparo e operações, ou MRO.

Ainda em 2008, partiram para um foco nas operações com concentração de cargas MRO, que hoje representam 72% do negócio. O restante se refere a transporte de clientes mais antigos. Para se ter uma ideia, são, ao todo, 1300 clientes pagantes de fretes/mês. E os rotativos totalizam 6 mil ao ano. Os contratos incluem transporte fracionado, lotação e expresso, e a empresa, com matriz em Belo Horizonte, também possui filiais nas cidades de São Paulo (SP), Duque de Caxias (RJ), Coronel Fabriciano (MG), João Monlevade (MG) e Serra (ES). E vai contar, em breve, com uma unidade em Campinas (SP).

Para os próximos cinco anos, a meta da Transmartins é focar em MRO e escoamentos de produtos acabados em algumas oportunidades. Esta última é uma estratégia adotada recentemente pela Transportadora, em vistas de aproveitar o frete e fazer o escoamento de produtos no contrafluxo, aproveitando o relacionamento com clientes atuais como Usiminas, Aperam, Arcelor, Samarco e outros.

“Nossa empresa se consolidou ao longo de sete décadas, acompanhando a evolução do mercado e se adaptando às mudanças, sempre com o compromisso de oferecer um serviço de excelência aos nossos clientes. Completamos 70 anos em 2023, com uma nova identidade, renovamos nossa GPTW, estruturamos diversas áreas, crescemos mesmo em um cenário de insegurança política e econômica, nacional e internacional, e estamos cada vez mais preparados para crescermos ainda mais”, diz o presidente.

Atuação da Transmartins

Confira outros clientes da transportadora:

  • Samarco
  • ArcelorMittal
  • Aperam
  • Cenibra
  • Ferro+ Mineração
  • J Mendes
  • Esab
  • Simec
  • Jotun
  • Sun Chemical

Uma empresa simples, que faz o simples, de maneira simples

“O frete é um complicador e a margem está cada vez mais apertada, mas não abrimos mão da tradição. Nem sempre oferecemos o melhor preço, afinal, o barato às vezes sai caro. Mas garantimos a qualidade no serviço prestado. Para isso, vamos nos reinventando e desenvolvendo novas estratégicas para manter a competitividade neste mercado que é tão concorrido e, às vezes, até desleal. Sabemos que existem empresas aventureiras que aplicam o frete de forma inadequada, sem seguir as recomendações da NTC (da Confederação Nacional dos Transportes), mas temos diferenciais que atestam a segurança do transporte da carga de cada cliente”.

Fernando Mio

Caminhão da Transmartins
A Transmartins possui uma frota de 60 caminhões próprios e 140 agregados (Foto Divulgação Transmartins)

Prova disso é que, após 13 anos de certificação na matriz em Belo Horizonte, o Planejamento Estratégico 22/24 trouxe a meta de expandir a certificação ISO 9001:2015 para todas as filiais. Marco celebrado no ano passado. Agora, as unidades de São Paulo, Coronel Fabriciano, João Monlevade, Duque de Caxias e Serra também possuem um sistema de gestão certificado.

Outro diferencial é que toda movimentação da Transmartins possui cobertura com cláusulas específicas para os diferentes produtos transportados.

E a frota, que atualmente é composta por cerca de 60 caminhões próprios e 140 agregados, também é constantemente renovada. “Não trabalhamos com veículos muito antigos, até pelas cláusulas contratuais exigidas por alguns clientes. A idade máxima da nossa frota é de sete anos e, por isso, a (frota) agregada também se apresenta como um desafio, já que o mercado nos impede de pagar melhor e exigir a renovação. Em resumo, somos uma empresa simples, que faz o simples, de maneira simples”, explica.

Segurança a empresa não negocia

E aí entra mais uma estratégia da companhia como forma de manter a produtividade dos caminhões e, principalmente, a segurança dos motoristas: os investimentos em tecnologia. Toda a frota – seja própria ou agregada – possui um sensor de fadiga com câmera que detecta sono, cigarro, distração ou falta do cinto de segurança, por exemplo. E há uma central de monitoramento que recebe essas informações e as contabiliza a partir de protocolos e pontuações para cada infração.

“Esse sistema conta com um prontuário eletrônico de acompanhamento do motorista. Funciona quase que como uma CNH. O profissional inicia em 0 ponto e se chegar aos 40 torna-se passível de sanções, incluindo desligamento da empresa. Então, acidentes leves computam 3 pontos; graves, 7 pontos; no caso de bocejos repetitivos é emitido um alerta para que o caminhoneiro pare na próxima praça de descanso… E há uma premiação para aqueles que não geram pontuação. É 100% focado em segurança. Colocamos a vida dos funcionários em primeiro lugar. Se tem algo nesta empresa capaz de me tirar o sono, é a segurança. Esse ponto a gente não negocia em hipótese alguma”, diz.

ESG PRESENTE

Investimentos como esses ditam o futuro da empresa e, por óbvio, passam também por um assunto em evidência no setor industrial: a descarbonização da frota e o uso racional de combustíveis, com o objetivo de mitigar um dos principais impactos de sua operação: a emissão de Gases do Efeito Estufa. Bem como por mudanças culturais em consonância com a Agenda ESG – tema já amplamente inserido no planejamento estrutural da Transmartins.

Entre os focos dos últimos anos estão a renovação de políticas de gestão e o amadurecimento da empresa quanto a critérios ambientais, sociais e de governança, conectando a gestão da sustentabilidade ao planejamento de negócios. No quesito ambiental, por exemplo, destaque para o investimento em uma usina fotovoltaica própria no município de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço; na parte social, há forte atuação em campanhas de diferentes cunhos; e na governança existe um plano com ações em diversas áreas da companhia.

“A governança é o ponto que mais avançamos. Criamos nosso canal de denúncia e formalizamos a política de descriminalização e combate ao preconceito. Nossa premissa, neste quesito, é o respeito”, resume.

Sobre a contratação de mulheres enquanto motoristas, Mio fala das dificuldades estruturais, citando os terminais de paradas nas rodovias e a própria segurança das estradas. “Estamos tentando, mas é complexo e estrutural. Internamente, já temos uma ajudante de carga, estamos contratando uma conferente e queremos trazer mais mulheres para o time operacional. No administrativo a representatividade já é grande”, cita.

Por fim, o executivo fala sobre o intenso debate que ainda paira sobre a descarbonização do setor e o uso de combustíveis renováveis, como o biodiesel. “Já começamos ver algumas demandas relativas ao tema, especialmente no sentido da eletrificação dos veículos. Mas ainda precisamos de um avanço grande para essa migração acontecer. Alguns dos grandes gargalos se referem à falta de pontos de carregamento nas estradas, ao custo desses caminhões e à Lei do Caminhoneiro e o tempo de espera nas praças de recarga. Sinceramente, apenas para efeito de marketing verde, sou contrário a qualquer alteração. Queremos ser uma empresa ambientalmente responsável, mas dentro do que for viável para o negócio”, conclui.

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Partido dos Trabalhadores