Quem passa com frequência pela Avenida Cristiano Machado já percebeu: a paisagem e a circulação em diferentes pontos da via vêm mudando. Viadutos foram construídos, novos acessos entraram em operação e outras grandes intervenções seguem em andamento.
As obras fazem parte de um conjunto de investimentos da Prefeitura de Belo Horizonte para transformar a mobilidade em um dos principais corredores da cidade.
A Cristiano Machado é estratégica porque conecta o Hipercentro às regiões Norte, Pampulha e Venda Nova, além de fazer parte da rota para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, e municípios do Vetor Norte. Por isso, intervenções em seus principais cruzamentos têm impacto sobre os deslocamentos de milhares de pessoas.
O objetivo das obras é atacar justamente alguns dos gargalos existentes ao longo desse trajeto. Em diferentes pontos, cruzamentos em nível e conflitos entre fluxos de veículos vêm sendo substituídos por novas estruturas viárias.
Parte dessa transformação já pode ser vista. Outra parte está acontecendo agora, inclusive debaixo da terra.
Waldomiro Lobo: novos caminhos já estão em funcionamento
Um dos pontos que já mudou é o cruzamento da Cristiano Machado com a Avenida Waldomiro Lobo, na Região Norte.
As primeiras estruturas começaram a ser liberadas em 2024. Em outubro de 2025, a Prefeitura de BH colocou em operação a última alça prevista para o complexo viário, ampliando as possibilidades de deslocamento entre bairros como Guarani, Heliópolis e São Bernardo e a Avenida Cristiano Machado.
Além dos viadutos e acessos, o projeto contempla adequações para circulação de pedestres e melhorias no entorno da estação de metrô Waldomiro Lobo.
Com os novos trajetos, movimentos que antes disputavam espaço no mesmo cruzamento passaram a ser distribuídos entre as diferentes alças do complexo.
Saramenha ganhou acesso direto à Cristiano Machado
Outra mudança já entregue está no encontro entre as avenidas Cristiano Machado e Saramenha.
O novo viaduto foi liberado ao trânsito em junho de 2026. A estrutura possibilitou um acesso mais direto para quem sai da Avenida Saramenha em direção à Cristiano Machado, no sentido Centro.
A intervenção recebeu investimento de aproximadamente R$ 33,2 milhões e foi projetada para reduzir os conflitos entre os diferentes fluxos de veículos no cruzamento, um dos objetivos do conjunto de obras realizadas no corredor.
Sebastião de Brito: obra avança em novo trecho
Se em alguns pontos o motorista já encontra a nova configuração pronta, em outros a transformação ainda está acontecendo.
É o caso da interseção entre a Cristiano Machado e a Avenida Sebastião de Brito, no Bairro Dona Clara. Ali, a implantação dos viadutos busca eliminar mais um cruzamento em nível e reorganizar a circulação entre a Cristiano Machado e bairros da Pampulha e da Região Norte.
Em agosto, a obra concluiu uma etapa importante: o remanejamento de uma rede de gás existente no cruzamento. A conclusão desse serviço permite o avanço da construção dos pilares das novas estruturas.
As intervenções exigem alterações temporárias no trânsito durante diferentes fases da obra. Para a PBH, são mudanças necessárias para permitir a execução das estruturas em uma avenida que continua recebendo diariamente um grande volume de veículos.
A maior transformação está debaixo da terra
Há ainda uma obra que chama atenção justamente porque boa parte dela não pode ser vista por quem passa pela região. Entre a Avenida Vilarinho e a MG-10 está sendo construída a trincheira da Cristiano Machado, nas proximidades da Catedral Cristo Rei.
O projeto prevê uma passagem subterrânea de até 780 metros de extensão, além de uma série de intervenções no entorno. O investimento inicial é de R$ 161,6 milhões.
No subsolo, são executadas grandes estruturas de concreto. Os trabalhos envolvem a construção de paredões que chegam a aproximadamente 20 metros de profundidade e se estendem por cerca de 800 metros. É justamente por isso que parte da complexidade da intervenção não fica evidente para quem observa a obra apenas da avenida.
A trincheira permitirá que parte do tráfego siga pela Cristiano Machado sem disputar o mesmo espaço dos movimentos existentes na superfície.
O projeto inclui ainda um boulevard na área coberta em frente à Catedral Cristo Rei, pista de aceleração na interseção com a Avenida Vilarinho, alargamento do viaduto sobre a linha do metrô e melhorias de drenagem, pavimentação, iluminação e paisagismo.
Para acelerar etapas mais complexas, a Prefeitura ampliou neste ano o horário de trabalho no canteiro, com a implantação de um segundo turno. A medida busca antecipar serviços e reduzir o período de impacto das intervenções sobre o trânsito.
Uma avenida em transformação
Waldomiro Lobo, Saramenha, Sebastião de Brito e a trincheira próxima à Vilarinho são peças de uma mesma transformação da Cristiano Machado.
Só nos três projetos de viadutos, a Prefeitura de BH investiu cerca de R$ 224 milhões. Considerando também a trincheira e outras intervenções do Vetor Norte, o conjunto de obras ultrapassa centenas de milhões de reais.
Durante a execução, grandes intervenções desse tipo provocam mudanças de circulação, desvios e outros transtornos temporários para quem utiliza a avenida. O desafio é realizar as obras mantendo um dos principais corredores de Belo Horizonte em funcionamento.
O resultado começa a aparecer nos trechos já entregues. Nos demais, máquinas, desvios e canteiros ainda fazem parte da rotina.
A Cristiano Machado que emerge desse processo, porém, será diferente daquela existente antes do início das intervenções: com novos cruzamentos em desnível, acessos reorganizados e uma estrutura viária pensada para reduzir gargalos históricos em um eixo fundamental para a mobilidade de Belo Horizonte.